# ELENÃO: “A ideologia é incapaz de suplantar a biologia”
16/03/2026 às 21:07 Opinião
“A ideologia é incapaz de suplantar a biologia”. (Fernando Holiday, preto e homossexual assumido, ex-vereador por São Paulo).
O título deste texto remete a uma campanha que visava impedir que “a deputada federal” (mantenhamos esta terminologia, apenas por ser a mais corrente) Erika Hilton assumisse a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDM) e, agora que Inês é morta, procura cassar-lhe o mandato.
Demétrio Magnoli, jornalista equilibrado e competente, já expôs que qualquer deputado federal, homem ou mulher, tem o direito de ser eleito presidente da tal comissão (CDM), ou de qualquer outra comissão. Está perfeito, o Magnoli. Só que, no caso, não se trata de discutir “direito”, mas ADEQUAÇÃO. Certamente que não é adequado um homem assumir a CDM, como não seria adequado o deputado Tiririca assumir a Comissão de Cultura da Câmara - embora deputado –, sendo ele praticamente analfabeto.
Feita esta ressalva, apresento uma preliminar. Nunca fui, jamais serei pessoa que ofende ou atire pedra em pessoas homossexuais, ou em quaisquer pessoas desconfortáveis com a sua condição biológica de nascimento. Como professor universitário, orientei alunos claramente homossexuais. Sempre os tratei com o mesmo respeito e deferência que dediquei aos demais alunos. Para mim sempre importou apenas o desempenho acadêmico de todo e qualquer orientado meu. Não entendo como um homem possa gostar de se relacionar com outro homem, ou mulher com mulher. Mas nem por isso tenho – jamais me atribui – o direito de desrespeita-los por tais condições.
Volto agora ao caso Erika Hilton, ‘né’ Felipe Santos Silva. Primeiro falo de sua abissal incoerência e hipocrisia. Ele, em vídeo que circula na Internet, sempre se jactou de sua negritude, o que é meritório. “Não adianta alisar os cabelos, você é negro”, afirmou. Mas, assim que pôde, alisou e aloirou os cabelos para parecer uma mulher nórdica. Aparentemente, fez tratamento para clarear a pele.
Adotou o nome Erika, de origem germânica, derivado de ‘Eirikr’, que significa “eterna soberana”, “rica em honra”, “aquela que reina como uma águia.” Ao adotar tal pseudônimo, alisar e aloirar os cabelos, contraria sua afirmação sobre o alegado orgulho pela própria negritude. Manifesta-se, ao contrário, como flagrante hipocrisia e falsa propaganda política. Mais: Erika adotou o topônimo anglo-saxão Hilton. Definitivamente, alisar e aloirar os cabelos, e adotar como nome Erika Hilton não significa aceitar negritude alguma, como proclama. Significa, ao contrário, fuga de sua condição biológica, talvez por vergonha desta mesma condição natural. Prefiro a autenticidade de Fernando Holiday, citado acima.
A transexualidade é uma questão séria. Uma pessoa sentir-se desconfortável, ou infeliz com seu corpo biológico não pode ser objeto de chacota: é uma condição seríssima, digna dos melhores estudos e maior respeito e consideração. Até aí, concordo absolutamente. Vou além, respeito que o transsexual se identifique como pertencente ao sexo biologicamente oposto ao seu. Evito a palavra transgênero, porque gênero, em biologia, não se refere a sexo, é parte da classificação (taxonomia) dos seres vivos. Por exemplo ‘homo’ (gênero) ‘sapiens’ (espécie). Mas não aceito que me seja IMPOSTO considerar o transsexual como a pessoa que ele NÃO É, contrário à sua natureza biológica. “A ideologia é incapaz de suplantar a biologia”, sentenciou corretamente Fernando Holiday.
O transsexual pode achar de si mesmo o que quiser, mas jamais impor a terceiros que aceitem o que ele pensa de si mesmo. Alguém pode achar que é Napoleão Bonaparte (o tal Napoleão de Hospício). Isto não deve ser objeto de chacota. Mas não é correto impor-se a terceiros aceitar que ele seja (realmente!) Napoleão Bonaparte. Existe uma pessoa (aliás, catarinense de Indaial) que se denomina INRI CRISTO e se identifica como a reencarnação de Jesus. Ele tem todo o direito de se considerar o Jesus reencarnado. Mas ninguém, nem mesmo o STF (Supremo Tayayá Federal) tem o direito de IMPOR às demais pessoas que o acatem como realmente o Jesus reencarnado. (Perceberam as analogias? Analogias são boas porque realçam a realidade das coisas).
Não existe “mulher trans”, nem “homem trans”. Esta conceituação não tem assento em fundamentação científica. Existe o transsexual, ou abreviadamente, trans, mas não “mulher trans”, ou “homem trans”. Estes termos (‘mulher trans’ e ‘homem trans’) representam, cada um, uma ‘contradictio in terminis’.
O transsexual Erika Hilton, pode se achar mulher, mas não pode impor às pessoas que pensem dele o que ele pensa (ou deseja) ser. No mais, trata-se e de um parlamentar improdutivo, grosseiro ao se dirigir a quem não concorda com ele, autoritário e como já ficou demonstrado acima, farsante e hipócrita.
A candidatura e eleição à presidência da CDM de Erika Hilton justifica o coro de indignação que se observa entre as mulheres, parlamentares ou não. Justifica a indignação não porque Erika não tenha o “direito” de se candidatar e se eleger, mas porque, ao contrário do que argumentou o jornalista Demétrio Magnoli, trata-se de uma candidatura e eleição absolutamente INADEQUADAS.
José J. de Espíndola
Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC – Agraciado com uma ‘Honorary Session’, por suas contribuições ao campo da Dinâmica, pelo Comité de Dinâmica da ABCM no XII International Symposium DINAME, 2007—Ex-Coordenador de Pós-Graduação das Engenharias III da CAPES/MEC - Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.