Polícia Federal aponta possível "fuga" de Lulinha
17/03/2026 às 18:41 Direito e Justiça
De acordo com informações do jornalista Claudio Dantas, o relatório técnico da Polícia Federal (PF) que embasou as quebras de sigilo de Lulinha, filho do presidente Lula, apontou suspeitas de que a mudança dele para o exterior poderia ter o objetivo de fugir das investigações sobre desvios no INSS.
Diz o jornalista:
O documento está sob sigilo e foi enviado ao STF em dezembro, quando a PF solicitou a quebra de sigilo bancário de Lulinha, autorizada pelo ministro André Mendonça. O relatório analisa a relação entre o filho do presidente e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso sob suspeita de comandar um esquema de desvios de aposentadorias.
“Do ponto de vista investigativo, asseveramos que Lulinha viajou para o exterior, sem previsão de volta, o que denota possível evasão do País, considerando estar associado aos fatos associados ao principal operador das fraudes bilionárias a milhões de aposentados do Brasil”, diz o relatório.
Relação com o Careca do INSS
Fábio Luís admitiu ao STF, em petição apresentada na segunda-feira (16), que manteve relação “esporádica e de natureza social” com o Careca do INSS. Ele também informou que o empresário pagou uma viagem a Portugal para conhecer um projeto de produção de canabidiol medicinal.
A investigação aponta que o empresário pretendia abrir uma empresa nesse setor, chamada World Cannabis. Durante a viagem, os dois visitaram um terreno onde poderia ser construída uma fábrica.
A defesa de Lulinha afirma que o negócio não avançou e que ele não recebeu recursos do empresário.
Segundo a PF, o projeto de canabidiol poderia ser financiado com recursos provenientes do esquema de desvio de aposentadorias, funcionando como etapa de lavagem de dinheiro.
Depoimentos e apurações
A PF apreendeu anotações do Careca do INSS que indicariam encontros com Lulinha em Brasília e apura se houve pagamentos.
Uma testemunha, Edson Claro, ex-funcionário do empresário, afirmou ter ouvido que ele pagava uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha. A quebra de sigilo bancário do filho do presidente, porém, não identificou transferências do investigado para suas contas.
Defesa apresentou explicações ao STF
Os advogados de Fábio Luís apresentaram petição ao Supremo na segunda-feira (16), após a divulgação da quebra de sigilo bancário e diante da possibilidade de novas medidas da Polícia Federal.
Segundo a defesa, em março de 2025 foram feitos contatos com instituições de ensino na Espanha para matricular os filhos do casal e organizar a mudança da família.
A primeira fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada no mês seguinte. Àquela altura, já haviam sido divulgadas reportagens sobre suspeitas envolvendo o Careca do INSS.
Os advogados afirmam que o planejamento da mudança para Madri começou em 2024, embora as medidas práticas tenham ocorrido no ano seguinte.
Na petição, Lulinha também afirma que foi apresentado ao empresário em 2024 por meio da amiga Roberta Luchsinger, que o descreveu como empresário do setor farmacêutico. Segundo ele, não havia conhecimento sobre qualquer atuação ligada ao INSS.
“Era com esse ANTÔNIO CAMILO, suposto empresário de sucesso da área farmacêutica e parceiro comercial de sua amiga, que o peticionário teve relação esporádica e de natureza social. FÁBIO LUÍS jamais firmou qualquer tipo de relação comercial com ANTÔNIO CAMILO, tampouco tinha conhecimento sobre fraudes no INSS ou outras ilegalidades”, afirmou a defesa ao STF.
A petição também relata que o convite para a viagem a Portugal ocorreu após conversa sobre um projeto de produção de canabidiol medicinal.
“Nessa mesma conversa, ANTÔNIO CAMILO contou que iria a Portugal para conhecer a produção dos medicamentos e convidou o peticionário a acompanhá-lo sem qualquer compromisso. O convite foi aceito e ANTÔNIO CAMILO levou FÁBIO a Portugal em novembro de 2024, arcando com os custos da viagem. FÁBIO LUÍS acompanhou a visita a possíveis fornecedores e propriedades e essa foi toda a extensão da relação do peticionário com o projeto. Ele não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores e tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas”, diz a petição.
A defesa também afirmou que, caso houvesse participação em um negócio desse tipo, o fato não configuraria crime.
“Entendia estar acompanhando um bem-sucedido empresário da área farmacêutica, em uma viagem para conhecer um projeto supostamente legítimo. Assim como todos à sua volta, FÁBIO entendia o projeto como lícito e conhecia apenas a figura do ‘empresário de sucesso ANTÔNIO CAMILO’. Essa imagem pública somente veio a se alterar muitos meses após a viagem a Portugal, com a deflagração da Operação Sem Desconto em 23/4/2025, quando foi amplamente publicizada a possível relação de ANTÔNIO CAMILO com as fraudes do INSS”, afirmou a defesa.
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da Redação