Voo Latam 3796: Inspeção técnica ou episódio que merece mais atenção?

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Na noite de 19 de março de 2026, o voo LATAM 3796, que partiria de Brasília rumo ao Rio de Janeiro, foi cancelado já com os passageiros a bordo e as portas fechadas.

Entre eles, estavam os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Luiz Fux.

O episódio, aparentemente rotineiro, rapidamente ganhou contornos de especulação política e memória coletiva: não foram poucos os que lembraram da morte do ministro Teori Zavascki em acidente aéreo em 2017, notadamente quando mais e mais se destaca o ministro Mendonça.

DIVERGÊNCIA DE VERSÕES

A LATAM informou que o cancelamento ocorreu por inspeção preventiva, após suspeita de colisão com ave em voo anterior.

Já relatos de passageiros e veículos independentes apontaram para uma falha mecânica identificada pelo comandante (FALHA MECÂNICA?).

Apesar da diferença de narrativa, o ponto comum é que não houve decolagem abortada em voo, apenas cancelamento em solo — medida de segurança padrão.

CANCELAMENTOS TÉCNICOS: ROTINA OU EXCEÇÃO?

Segundo dados da ANAC, cerca de 2% dos vôos no Brasil foram cancelados em 2025, sendo a maioria por razões meteorológicas ou operacionais. Cancelamentos por falhas técnicas representam uma fração menor, mas não desprezível.

Casos semelhantes já ocorreram em companhias como LATAM, Gol e Azul, envolvendo inspeções preventivas por colisão com aves ou falhas em sistemas hidráulicos e elétricos. São episódios que raramente evoluem para acidentes, justamente porque o protocolo exige ação imediata.

PROBABILIDADE ESTATÍSTICA

Estudos do CENIPA indicam que menos de 10% dos incidentes graves entre 2020 e 2025 tiveram origem em falhas técnicas.

Na prática, a chance de um passageiro vivenciar um cancelamento por falha mecânica é baixa — menos de 1 em cada 50 vôos. Já a probabilidade de acidente fatal por esse motivo é ainda menor, reforçando a segurança da aviação comercial.

O FANTASMA DA SABOTAGEM

Não há qualquer evidência de sabotagem ou atentado no caso do voo 3796.

Estatisticamente, a probabilidade de um ato deliberado em vôos comerciais é ínfima.

Ainda assim, a presença de ministros do STF e o contexto político brasileiro alimentam especulações.

O imaginário coletivo, marcado pelo acidente de Teori Zavascki, faz com que episódios técnicos ganhem contornos simbólicos.

Como diz o ditado galego: *“Eu non creo nas meigas, mais habelas, hainas”*. Não acreditamos em bruxas, mas que existem… existem.

O cancelamento do voo LATAM 3796 foi, oficialmente, uma inspeção técnica preventiva.

Mas a divergência de versões, somada ao peso político dos passageiros, transforma um episódio rotineiro em um acontecimento de repercussão nacional.

Seja falha mecânica ou colisão com ave, o fato é que a aviação comercial opera com protocolos rígidos que priorizam a segurança.

O que permanece, no entanto, é a percepção pública de que, em determinados contextos, um simples cancelamento pode carregar significados muito além da técnica.

Deus proteja o Ministro.

Jayme Rizolli

Jornalista.

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