Ex-chefe de produção da Globo pede demissão após 2 infartos e detona: “Patrimônio de Roberto Marinho está virando pó”

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O chefe de Produção de Rede da Rede Globo, Fabricio Marta, pediu demissão da emissora após sofrer dois infartos no início de 2026.

Após deixar a empresa, Fabricio passou a usar suas redes sociais para revelar situações dos bastidores da Globo. Os relatos incluem o que ele classificou como "perversidades" e a afirmação de que a empresa está indo "ladeira abaixo".

O ex-chefe de produção detalhou o quadro clínico enfrentado.

"Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. A fisio[terapia] cardíaca começará em três meses. Por enquanto, estamos tentando liquidar os trombos na área necrosada do coração".

Os infartos ocorreram às vésperas do Carnaval, na Redação do Jornal Nacional.

"Tudo se deu às vésperas do Carnaval, na Redação do Jornal Nacional. Foram duas semanas de CTI e um turbilhão de pensamentos de gente que não morre". 

O profissional permaneceu internado em uma Unidade de Terapia Intensiva por duas semanas.

Fabricio Marta formalizou o pedido de demissão enquanto ainda estava hospitalizado.

"O pedido [de demissão] foi feito aos meus chefes (por WhatsApp) ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou. Minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas. Pra mim, com ou sem stents, sempre valeu o escrito. Não sou moleque e muito menos signatário de atitudes incoerentes".

O ex-chefe de produção manifestou insatisfação com a promoção recebida no início do ano. Ele revelou que a função para a qual foi designado já havia sido exercida por ele há 15 anos. Marta afirmou que não foi consultado sobre a mudança.

"Eu não curti o que me foi proposto (sem sequer ser consultado!) e catei meus panos de bunda. Os que já trabalharam e/ou conviveram comigo profissionalmente sabem quem sou: movimento, seriedade, lealdade, verdade e alegria. São semeaduras de vida inteira. E ninguém, além de mim, tem o direito de abraçar a minha colheita. Agora, burro velho não harmonizado não dá pra mudar o rumo da prosa".

Marta detalhou sua reação ao receber a proposta de retornar a uma função antiga.

"A proposta-mor, digamos assim, me deixou completamente atarantado: retornar a uma função realizada por mim 15 anos atrás. Repito: 15 anos atrás. Logo eu que durmo um (quando durmo) e acordo outro (mesmo sem dormir). Não nasci pra ser secretário de luxo e tampouco figurante da minha própria vida. Sou filho do vento: só ando pra frente".

No dia 17 de março, o profissional publicou uma lista com aspectos burocráticos e problemas enfrentados por quem trabalha na emissora.

"Menos 10 grupos de trabalho no WhatsApp; menos centenas de e-mails no Outlook; menos dezenas de reuniões improdutivas (por ausência absoluta de cognição alheia); menos sustos por falta de comunicação; menos mau humor de gente amarga; menos de dezenas de ligações nonsense; menos energia de gente incompetente; menos 'bom dia, 'boa tarde' e 'boa noite' cuspidos no lixo; zero fogueiras de egos e vaidades. Menos muitos plantões antecipados".

Na quinta-feira, 19 de março, Marta respondeu a questionamentos de amigos e colegas sobre sua decisão. Quando perguntado se deixar a Globo foi sua melhor decisão, ele respondeu: "Sim, foi".

O ex-chefe de produção aproveitou a publicação para abordar a questão da "fogueira de egos" mencionada anteriormente. Ele citou o caso de um colega de trabalho como exemplo das situações que o levaram a perder a esperança na emissora.

Fabricio mencionou Helton Setta, produtor do Jornal Nacional com 25 anos de Globo.

"Esse meu amigo está de férias e, talvez, fique put* com essa postagem, mas ele é o somatório da minha desesperança naquele lugar. Vou dizer o nome, qualquer coisa me processa. Helton Setta, produtor do Jornal Nacional: 25 anos de Globo".

Ele relatou uma situação envolvendo o trabalho de Setta em uma pesquisa científica. O ex-chefe de produção descreveu o acompanhamento de Setta a uma pesquisa sobre polilalamina durante sete anos.

"Você já ouviu falar na polilalamina? Pois então, Setta acompanhou essa pesquisa por sete anos. O Fantástico exibiria uma reportagem especial sem sequer creditá-lo. O espanto partiu da fabulosa doutora Tatiana Medeiros. O tema ganhou notoriedade na imprensa mundial, mas as chefias do Jornalismo Globo foram incapazes de redigir um e-mail, que fosse, celebrando o colega".

O ex-funcionário destacou as qualificações linguísticas de Setta, que fala inglês, espanhol, alemão e italiano. Apesar dessas habilidades, o produtor nunca foi convidado para qualquer função nos escritórios internacionais da Globo. Fabricio enfatizou que Setta está há 10 anos sem receber uma promoção na emissora.

"Setta fala inglês, espanhol, alemão e italiano. Nunca fora convidado para qualquer função nos escritórios internacionais da Globo e, agora, a cereja: está há 10 anos sem uma promoção. Repetindo: 10 anos. Eu, como chefe de produção, jamais assinaria esse recibo".

Sobre a permanência de Setta na empresa, Fabricio explicou:

"Ah, sabe por que o Setta não vai embora? Porque ama o que faz. Eu também amava, tenho filho, pago aluguel, mas não trabalho com injustiças. Saí por essas e outras e quantas vezes fosse preciso. Há outros muitos Settas no estoque. Daí vem a Globo e publica anúncio pra caçar talentos fora. Suco de abismo".

No sábado, 21 de março, Fabricio Marta fez um relato sobre tarefas que considerou alheias à sua função. Ele descreveu um dos pedidos mais perversos, datado do fim do ano passado, quando foi convocado a avisar produtores sobre o corte de horas extras. A medida entraria em vigor no mês corrente.

A decisão foi validada pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a Fabricio anunciar a nova condição salarial aos produtores. Um dos profissionais tinha cinco horas extras por dia, acordadas verbalmente. O produtor quase passou mal ao saber do corte, pois estava pagando a faculdade da mãe com esse dinheiro adicional.

"Esse mal ajambrado foi lavrado e validado pela antiga direção regional de Jornalismo, mas coube a mim (o então secretário de luxo) anunciar a nova condição salarial da garotada. Um produtor tinha 5 horas extras/dia --apalavradas de boca--, o menino quase passou mal ao saber do corte: ele estava pagando a faculdade da mãe. A mim, me coube aquietá-lo, mas também incentivá-lo a alternativas profissionais e dignas".

Fabricio questionou a ausência de comunicado oficial sobre os cortes e a falta de avaliação individual de cada caso.

"Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem! Por que não houve um comunicado oficial? Por que cada caso não fora avaliado, individualmente?", indagou.

O ex-chefe de produção concluiu sua crítica afirmando: "A mesquinharia de um ambiente mofado de sobrevivência ao trabalho se dá pela pobreza de espírito que o cerca."

Após pedir demissão, Fabricio rezou uma missa em intenção a Roberto Marinho, fundador da emissora que morreu em 2003. Ele declarou gratidão ao empresário:

"Sou grato. Muito grato. Não fosse ele, eu não seria quem sou hoje".

Contudo, explicou que a missa tinha outro significado:

"A missa era mais um jeito de dar um 'pedala, Robinho!' no doutor: amistosamente disse a ele que o seu patrimônio está virando pó".

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da Redação Ler comentários e comentar