AO VIVO: CPMI avança, STF encerra: coincidência… ou conveniência? (veja o vídeo)

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Quando uma investigação começa a ganhar tração, o esperado é que ela avance. Mas, no Brasil, às vezes acontece o contrário.

A CPMI do INSS vinha ampliando seu alcance, levantando questionamentos relevantes e aumentando a pressão por respostas. O ambiente começava a mudar. O tema ganhava corpo. E, principalmente, ganhava atenção. Foi justamente nesse momento que veio a decisão.

O Supremo Tribunal Federal encerra a comissão. Tudo dentro da legalidade formal. Tudo amparado por argumentos técnicos. Tudo aparentemente correto. Mas o problema não é apenas o que está no papel. É o timing.

Porque, quando uma investigação cresce e, de repente, é interrompida, o efeito não é o encerramento do assunto — é o oposto. As dúvidas se multiplicam. O que ainda seria apurado? Quais caminhos estavam sendo abertos? Por que encerrar agora? Perguntas que ficam.

E, no vácuo de respostas, cresce algo que nenhuma decisão consegue conter: a desconfiança.

Não se trata apenas de uma CPMI que terminou. Trata-se da percepção de que, no momento mais sensível, a investigação foi interrompida. E percepção, na política, é tudo.

Encerrar pode até resolver um problema imediato. Mas dificilmente encerra o debate. Pelo contrário. Às vezes, é exatamente aí que ele começa.

Veja o vídeo:

Foto de Emílio Kerber Filho

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral

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