AO VIVO: CPMI do INSS termina em pizza e confirma o que o Brasil já desconfiava (veja o vídeo)

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Foram meses de investigação, bilhões sob suspeita, aposentados lesados e um escândalo que expôs um dos esquemas mais cruéis já vistos contra brasileiros vulneráveis. O resultado? Nada. Absolutamente nada.

A CPMI do INSS terminou sem a aprovação de um relatório final — após mais de 16 horas de sessão — escancarando um cenário de impasse político que, na prática, enterrou qualquer consequência concreta para os envolvidos  .

O que deveria ser um instrumento de apuração virou palco de disputa. De um lado, pedidos de indiciamento que atingiam figuras sensíveis. Do outro, um movimento articulado para barrar o avanço dessas conclusões. O resultado foi previsível: o relatório foi rejeitado e a comissão terminou sem um parecer oficial.

Na prática, isso significa uma coisa: ninguém responde por nada.

A própria dinâmica final da CPMI evidencia o problema. Quando governistas passam a reagir com relatórios alternativos e a oposição tenta empurrar indiciamentos em sentido oposto, o foco deixa de ser a investigação e passa a ser o confronto político  . O que era para esclarecer vira disputa narrativa. E quando tudo vira disputa, nada avança.

O mais grave é o contraste com o tamanho do escândalo. As investigações apontam para um esquema bilionário de descontos indevidos que atingiu milhões de aposentados e pensionistas — justamente a parcela mais vulnerável da população  . Ainda assim, o desfecho institucional foi o vazio.

Não houve conclusão. Não houve responsabilização política efetiva. Não houve resposta proporcional à gravidade dos fatos.

E é exatamente por isso que a expressão “termina em pizza” deixa de ser apenas figura de linguagem. Ela se torna diagnóstico.

A CPMI do INSS não fracassou por falta de fatos. Fracassou por excesso de interesses.

No fim, o que se viu foi a repetição de um padrão já conhecido: quando a investigação começa a chegar perto demais de quem não pode ser atingido, o sistema trava. E quando o sistema trava, o escândalo morre — não por falta de provas, mas por falta de vontade política.

O recado que fica é perigoso: no Brasil, até um dos maiores escândalos envolvendo aposentados pode terminar sem consequência.

E isso não é apenas um problema institucional.

É um sinal claro de impunidade.

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral
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