Viúva e irmã são condenadas pelo assassinato de dono de cartório a mais de 20 anos cada uma
29/03/2026 às 06:00 Direito e Justiça
O Tribunal do Júri da comarca de Rubiataba, na região central de Goiás, condenou na sexta-feira (27), a esposa e a cunhada do cartorário Luiz Fernando Alves Chaves pela morte dele, ocorrida em dezembro de 2021.
As penas chegam a 30 anos de prisão e deverão ser cumpridas em regime fechado. A esposa da vítima, Alyssa Martins de Carvalho Chaves, foi condenada a 30 anos de reclusão. Já a irmã dela, Aleyna Martins de Carvalho, recebeu pena de 24 anos, 11 meses e 27 dias. Ambas não poderão recorrer em liberdade.
O julgamento aconteceu quatro anos e três meses depois da morte de Luiz Fernando Alves Chaves, de 40 anos, que, segundo as investigações, foi sequestrado em casa, levado no próprio carro e morto em seguida na noite de 28 de dezembro de 2021.
Na sentença, o juiz Liciomar Fernandes da Silva citou que as consequências do crime são extremamente graves e, além de deixar os três filhos menores em situação de desamparo, órfãos do pai e da mãe — que foi presa pela prática do crime —, eliminou a perspectiva de estabilidade patrimonial futura com a atividade cartorária.
Além das irmãs, outras cinco pessoas participaram do crime:
- Luizmar Francisco Neto - responsável por planejar toda a ação: 31 anos e 6 meses de prisão;
- Ana Cláudia da Silva Rosa - amante de Alyssa e idealizadora do crime: condenada a 28 anos, 1 mês e 12 dias;
- André Luiz Silva - recrutador dos executores: 24 anos, 11 meses e 27 dias ;
- Edivan Batista Pereira - executor: 41 anos, 6 meses e 27 dias;
- Laurindo Lucas Gouveia dos Santos - motorista e executor: 26 anos, 5 meses e 13 dias.
Luizmar Francisco foi condenado em março de 2024. Os outros quatro participantes foram condenados dois meses depois. Segundo o Ministério Público (MP), Luizmar arquitetou o crime e se encontrou com os atiradores para repassar informações sobre a vítima e sua rotina. Foi ele quem entregou as chaves da casa, o controle do portão e as abraçadeiras de plástico para amarrar as mãos da vítima.
A participação de Ana Cláudia se deu porque ela e Alyssa estavam envolvidas amorosamente, de acordo com o MP. Juntas, elas idealizaram a morte do cartorário, contratando o planejamento e a execução do crime.
Já André Luiz Silva, segundo as promotoras que atuaram no julgamento, foi quem forneceu a arma usada no assassinato. Ao fixar a pena, o juiz considerou, ainda, circunstâncias como a prática do homicídio mediante promessa de pagamento e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Em relação a Edivan e Laurindo, o Ministério Público destacou a brutalidade com que agiram. Segundo os promotores, Edivan atirou diversas vezes contra o cartorário mesmo depois de ele ter pedido clemência. Já nas investigações, a Polícia Civil apontou a frieza da dupla, que saiu para lanchar logo após o crime, como se nada tivesse acontecido.
Luiz Fernando foi rendido pelos executores dentro de casa, depois de eles terem entrado usando os controles dos portões. A esposa havia ido à igreja, com os filhos, e ele havia ficado, para estudar para um concurso.
O casal tinha três filhos, sendo um casal de gêmeos e uma menina. Na época, o delegado responsável pelas investigações, Marcos Adorno, disse ao g1 que os vizinhos ouviram Luiz Fernando falando para os criminosos que não chamaria a polícia, mas que o preservasse por ser pai de três crianças.
O cartorário foi levado em sua própria caminhonete, uma Hilux, para uma região de canavial, em Uruana, a cerca de 20 km de Rubiataba, onde foi morto com 15 tiros. Seu corpo foi encontrado na madrugada seguinte.
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da Redação