E surge mais uma intrigante revelação sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro
03/04/2026 às 07:40 Política
Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram fortemente a revelação de diálogos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff. Gradativamente, vai ficando demonstrado que o conteúdo dessas conversas indicam uma incomum proximidade entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, demonstrando inclusive que os dois estiveram juntos em datas próximas as viagens que o magistrado realizou em jatos executivos de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel. A informação é da jornalista Malu Gaspar. Confira:
Os trajetos realizados por Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, entre os meses de maio e outubro de 2025 foram revelados pela Folha de S. Paulo na última terça-feira (31). O escritório de Viviane fechou em 2024 um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.
O levantamento da Folha levou em conta dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) da Aeronáutica, Moraes e Viviane constam no registro de passageiros de terminais executivos no Aeroporto de Brasília.
A equipe do blog cruzou as datas das viagens de Moraes com as mensagens em que o ministro do STF é citado por Vorcaro nos diálogos com Martha, que também foram enviados à CPI do INSS. Nas mais de 2,3 mil páginas de conversas entre o casal, há três convergências de datas nos meses de maio e agosto.
Em 21 de maio, véspera da viagem de Moraes de Brasília a São Paulo em um jato da Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio e que também é dona de sua mansão em Brasília, o CEO do Banco Master relata à noiva estar com o ministro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem chamou de “grande amigo de vida” em uma das conversas com Martha, em casa.
“Tô aqui em casa, amor. Ciro e Alexandre”, escreveu Vorcaro às 21h36m.
Na manhã do dia seguinte, o banqueiro relata a Martha que os convidados “foram [embora] cedo” e que ele se deitou às 1h da manhã.
Naquela noite, em 22 de maio, Moraes aparece como passageiro em um hangar de aviação executiva no Aeroporto de Brasília às 19h. Segundo a Folha, 33 minutos depois, um avião da Prime Aviation decolou rumo ao Aeroporto de Catarina, voltado para jatos privados.
Quatro dias depois, em 26 de maio, Daniel Vorcaro volta a citar Moraes. Ele conta à noiva que terá um encontro com o ministro e resolveu organizar um jantar com ele, sua mulher – Viviane, advogada do Master – e outros dois convidados.
“Hoje a noite eu teria encontro com Alexandre, então estou marcando jantar com as mulheres, [do] Fábio e [a] dele, ok?”, escreve o executivo.
Embora não especifique, Vorcaro se refere ao ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, citado frequentemente nas conversas do CEO com a noiva, e sua mulher, Patrícia Abravanel.
Na sequência, Martha liga para Vorcaro e eles conversam por 51 segundos.
Três dias depois, em 29 de maio, Moraes e Viviane voaram de Brasília ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a bordo de um jato Embraer pertencente à Prime Aviation.
Em 8 de agosto, às 18h39m, Vorcaro escreve para Martha Graeff: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro [Nogueira]”.
Moraes e Viviane tinham embarcado para São Paulo na véspera, às 19h. No mesmo horário, segundo o levantamento da Folha, o único voo para a capital paulista foi realizado pelo jato Falcon 2000 PS-FSW, que pertence a uma empresa controlada por Fabiano Zettel.
Cunhado de Vorcaro, Zettel é tratado pelos investigadores do caso Master como seu operador financeiro. Ele também é o controlador do fundo Arleen, que de acordo com o Estadão aportou R$ 35 milhões no resort Tayaya no período em que adquiriu uma fatia do empreendimento que pertencia à empresa Maridt, que tinha como sócio oculto outro ministro do Supremo, Dias Toffoli.
Daniel Vorcaro ainda era sócio da Prime You, dona da Prime Aviation, nas datas em que a coluna constatou a coincidência entre os diálogos e os voos de Moraes. A sociedade foi desfeita em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação do Master. Também figurou no quadro societário da Prime Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Master. Segundo a companhia informou ao Valor Econômico, os dois venderam a parte deles para a própria empresa no início daquele mês.
Em nota divulgada pelo seu gabinete na última quarta-feira, após a publicação da matéria da Folha, Alexandre de Moraes alegou jamais ter viajado em aeronaves de Vorcaro e Zettel ou na companhia deles.
“As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, declarou o magistrado.
Já o escritório de Viviane disse contratar “diversos serviços de táxi aéreo”, entre os quais o da Prime Aviation, mas alegou que Vorcaro e Zettel jamais viajaram junto de integrantes da banca de advogados.
“Além disso, todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”, destacou o Barci de Moraes.
O histórico de conversas entre Vorcaro e Martha que chegou ao Congresso termina em 13 de agosto de 2025. Até a primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro, não há registro de diálogos para a conferência de outras convergências de datas.
Mas a partir do levantamento da Folha de S. Paulo sabe-se que Moraes e Viviane viajaram em jatos de Vorcaro até 16 de outubro de 2025, um mês antes da Polícia Federal prender o banqueiro no Aeroporto Internacional de Guarulhos tentando embarcar em um jato rumo a Dubai com escala em Malta, o que foi encarado pelos investigadores como uma tentativa de fuga.
Conforme revelamos em dezembro, Moraes procurou o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para discutir sobre o Banco Master no período em que a tentativa de compra da instituição pelo BRB enfrentava resistências crescentes dentro do BC.
Àquela altura, já se sabia também que o contrato de Viviane com o Master previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, com atuação em frentes no Judiciário, Legislativo e órgãos do Executivo.
O contrato, também revelado pela equipe da coluna, previa atuação do escritório da mulher de Alexandre de Moraes junto ao Banco Central, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), à Procuradoria-Geral de Fazenda Nacional (PGFN) e Receita Federal.
Todos estes órgãos informaram ao blog através da Lei de Acesso à Informação (LAI) não haver registros da atuação de Viviane em nome do Master. A discrepância entre o tamanho da remuneração e a falta de rastros administrativos deu novo fôlego às dúvidas sobre a natureza real dos serviços prestados.
Em fevereiro, o próprio Banco Central se recusou a fornecer, via LAI, detalhes sobre as reuniões entre Moraes e Galípolo, alegando razões de segurança. O BC disse ainda não documentar encontros com altas autoridades. A negativa contradisse a declaração pública do presidente do BC de que todas as discussões sobre o caso Master haviam sido registradas pelo órgão regulador.
A pressão aumentou ainda mais quando, já em março, o conteúdo extraído do celular de Vorcaro mostrou que ele trocou mensagens com Moraes no dia da própria prisão, em 17 de novembro de 2025. Nos textos, o banqueiro relatava tentativas de salvar o banco junto a investidores árabes e perguntava ao ministro: “Conseguiu bloquear?”.
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da Redação