Pobre país: Um escândalo dentro de outro escândalo vem à tona
03/04/2026 às 10:00 Opinião
Em mais uma reportagem sobre a saga do governo do DF para tentar evitar a inexorável liquidação do BRB, chamou-me a atenção a informação de que um dos imóveis disponibilizados como garantia é um Centro Administrativo desocupado desde a sua inauguração, há 12 anos. Isso é um escândalo dentro do escândalo, pensei. Fui pesquisar.
O Centrad, como é conhecido o Centro Administrativo do GDF (Brasília tem um gosto especial por siglas, uma espécie de idioma paralelo das repartições públicas) foi idealizado pelo governador José Roberto Arruda, que organizou um certame para uma PPP, vencido por um consórcio liderado pela Odebrecht em 2009.
Com Arruda cassado e a eleição do petista Agnelo Queiroz para o governo, as obras continuaram a todo vapor. Em seu último dia de governo, Queiroz “inaugurou” o complexo que abrigaria 13 mil funcionários do GDF. O problema é que só havia o tijolo. Faltavam móveis, equipamentos e toda a infraestrutura de TI, além das obras viárias necessárias para reduzir o impacto no trânsito da região.
O governador seguinte, Rolando Rolemberg, desistiu da mudança, promessa que seria retomada pelo governador Ibaneis Rocha a partir de 2019. A PPP foi anulada em 2022 com base nas provas levantadas pela Lava-Jato envolvendo a Odebrecht e caixa 2 de campanha (que surpresa!), mas, até o momento, o complexo segue se deteriorando.
Temos aqui a clássica mistura de roubalheira com incompetência administrativa que caracteriza o setor público brasileiro em todos os seus níveis. Quantas dessas obras inacabadas estão espalhadas pelo país? Até hoje eu nunca havia ouvido falar do Centrad. E olha que estamos falando de uma obra gigantesca na capital da República.
O PIB de um país é o resultado do valor agregado por empresas e indivíduos. O dinheiro usado para construir esses edifícios desocupados há 12 anos sumiram do PIB. Não adianta nada sermos ricos em recursos naturais se jogamos dinheiro fora. O Centrad é uma forma concreta de entender porque nosso PIB potencial é baixo.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
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da Redação