Páscoa: a travessia que começa em nós

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A massa, sem consciência, é disforme. O indivíduo desperto é oásis no deserto moral.

A palavra “Páscoa” vem do hebraico Pesach, que significa passagem. Na tradição cristã, representa a passagem da morte para a vida — a ressurreição de Jesus Cristo.

Mas, diante do mundo atual, essa passagem deixa de ser apenas simbólica e se torna urgente.

Vivemos tempos marcados pelo ódio coletivo, pela banalização da vida e por uma cultura que, muitas vezes, valoriza mais o poder do que a dignidade humana. Já não basta refletir — é preciso agir.

A Páscoa, então, deixa de ser apenas lembrança e se torna urgência.

É tempo de uma passagem necessária e inadiável: do ódio coletivo para o respeito, da cultura da morte para a cultura da vida.

Uma verdadeira travessia neste oceano de hipocrisia e maldade humana, onde, por vezes, parece não haver um justo sequer — alguém que se levante, de forma efetiva, em busca da paz, do cuidado com o outro e do respeito à nossa morada comum.

Esperamos, com frequência, por uma evolução coletiva. Mas a coletividade, muitas vezes, se revela como uma massa disforme — que cresce alimentada pelo fermento do ódio, da ignorância e da hipocrisia.

A Páscoa nos convida a uma travessia concreta: sair da indiferença, romper com a violência silenciosa nas relações e reconstruir o respeito como base da convivência.

A verdadeira ressurreição não é apenas espiritual — é ética, emocional e relacional. E começa dentro de cada um.

Toda ressurreição autêntica implica libertação: das amarras internas, dos medos, das ilusões e das estruturas que mantêm o ser humano cativo. É morrer para aquilo que escraviza e renascer para uma vida mais livre, mais íntegra e mais verdadeira.

A mudança não nasce no todo — nasce no indivíduo.

Que esta Páscoa nos desperte para a vida e para a responsabilidade de vivê-la com consciência.

É tempo de romper com a cultura do ódio e fazer, com coragem, a única travessia que nos resta: da escravidão para a liberdade.

Libertação — não como palavra, mas como escolha.

A verdadeira libertação não depende das circunstâncias externas, nem das permissões do mundo.

Ela nasce no interior de cada um — quando há coragem para romper com aquilo que aprisiona a consciência.

Bernadete Freire Campos

Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.

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