Gigante empresa do RS pede socorro na Justiça para não fechar as portas
05/04/2026 às 13:09 Economia
Como parte de um plano estratégico voltado à reestruturação financeira, a indústria de laticínios Friolack, sediada em Chapada, formalizou um pedido de recuperação judicial. O processo foi encaminhado ao Juizado Regional Empresarial da Comarca de Passo Fundo e ainda depende de apreciação do Poder Judiciário.
Com uma trajetória que se aproxima de 25 anos, a empresa faz parte do Grupo Milk Way, conglomerado que atua nos segmentos de laticínios, transporte e gestão patrimonial. O montante total das dívidas gira em torno de R$ 200 milhões, conforme estimativas apresentadas.
A direção da companhia afirma que a iniciativa foi motivada por uma série de fatores que comprometeram diretamente o equilíbrio financeiro. Entre as ações planejadas para a recuperação estão o incremento das receitas, a redução de custos operacionais, a alienação de ativos e a renegociação de prazos com credores. Mesmo diante das dificuldades, a empresa destaca que não há previsão de demissões entre os cerca de 400 colaboradores, tampouco alterações na relação com aproximadamente 600 produtores fornecedores de leite.
O histórico da Friolack remonta à década de 1990, quando iniciou suas atividades em Não-Me-Toque, focada na comercialização de queijos. A fase industrial teve início em 2001, marcando um novo ciclo de expansão. Posteriormente, a operação foi transferida para Chapada, o que permitiu ampliar a capacidade produtiva e consolidar presença no mercado. Atualmente, o queijo fatiado se destaca como um dos principais produtos, sendo um segmento em que a marca possui participação expressiva.
Segundo informações da própria empresa, o desempenho operacional manteve-se positivo até 2023. No entanto, a situação financeira se deteriorou ao longo de 2024, especialmente em razão de eventos climáticos adversos. As enchentes ocorridas naquele ano provocaram perdas significativas, principalmente devido à destruição de estoques armazenados em um centro logístico localizado em Esteio, que foi atingido por alagamentos. Apenas esse episódio gerou prejuízos estimados em cerca de R$ 27 milhões, além de aproximadamente R$ 11 milhões em impactos indiretos.
Além disso, o cenário desafiador do setor lácteo, caracterizado por margens reduzidas, somado ao aumento das taxas de juros, contribuiu para pressionar ainda mais o fluxo de caixa. Nesse contexto, a recuperação judicial é vista como uma medida necessária para reorganizar compromissos financeiros e assegurar a continuidade das atividades da empresa no mercado.
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da Redação