Pesquisa feita no histórico "termômetro nacional" mostra Lula derrotado e desmoralizado
05/04/2026 às 14:54 Opinião
Uma nova pesquisa eleitoral em Minas Gerais trouxe um dado que, isoladamente, poderia parecer apenas mais um recorte estatístico.
Mas não é.
O levantamento mostra Flávio Bolsonaro com 43,4% das intenções de voto, à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 40,6%. Em terceiro lugar, Romeu Zema soma 7,2%.
À primeira vista, a diferença não é ampla.
Mas o ponto central não está na margem.
Está no território.
Minas Gerais, historicamente, funciona como um termômetro nacional. O estado reúne características sociais, econômicas e políticas que frequentemente antecipam o comportamento do eleitor brasileiro como um todo. Não por acaso, quem vence em Minas costuma vencer no país.
É exatamente por isso que o dado chama atenção.
O resultado sugere um deslocamento que começa a se formar em um dos ambientes mais estratégicos da disputa eleitoral. E mais: esse movimento ocorre em um cenário onde ainda há grande espaço de indefinição.
Segundo a própria pesquisa, 18,3% dos entrevistados se declaram indecisos, ou optam por branco e nulo.
Ou seja, o jogo está longe de estar consolidado.
Mas há um ponto que não pode ser ignorado: perder terreno em Minas não é apenas uma oscilação regional — é, historicamente, um sinal de alerta.
Ainda é cedo para afirmar tendência.
Mas já não é possível tratar o dado como irrelevante.
A questão que se impõe agora é outra:
trata-se de um ponto fora da curva…
ou do primeiro indicativo concreto de como 2026 pode começar a se desenhar?
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral