
Extraordinário crescimento patrimonial do casal Moraes vem à tona e choca o país

06/04/2026 às 10:11 Direito e Justiça

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e a advogada Viviane Barci de Moraes detêm 17 propriedades avaliadas em R$ 31,5 milhões. O levantamento foi realizado pelo Estadão com base em documentos de cartórios de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. O patrimônio imobiliário do casal cresceu 266% desde março de 2017, quando Moraes assumiu a cadeira na Corte.
Entre 2021 e 2026, a família desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e São Paulo. Todas as transações foram quitadas à vista, segundo registros cartoriais. O Estadão procurou Moraes e Viviane por meio de suas assessorias de imprensa desde 27 de março para obter manifestação sobre as informações. Não houve retorno.
Quando o ex-presidente Michel Temer nomeou Moraes para o STF, o casal tinha 12 imóveis com valor estimado em R$ 8,6 milhões. Antes da indicação ao tribunal, o ministro recebia salário de cerca de R$ 33 mil. Sua remuneração atual é de R$ 46 mil mensais, aumento de 39% na renda.
Antes de integrar o STF, Moraes ocupou cargos de ministro de Estado, secretário estadual e municipal. Atuou também no Ministério Público. Todas essas posições ofereciam vencimentos próximos ao teto do funcionalismo público.
Viviane é sócia-administradora do Barci de Moraes Advogados. O escritório é mantido em sociedade com os filhos Alexandre e Giuliana. O número de ações da advogada tramitando no STF e no Superior Tribunal de Justiça saltou de 27 para 152 processos após a nomeação do marido ao STF, segundo dados divulgados pelo Estadão.
Os documentos consultados indicam que o casal investiu R$ 34,8 milhões na aquisição de 27 propriedades ao longo de 29 anos. Parte dessas propriedades foi vendida posteriormente. Isso explica a diferença entre o total investido e o valor atual da carteira imobiliária.
O crescimento patrimonial mais acentuado concentra-se nos últimos anos. Os investimentos do casal em imóveis desde 2021 somam R$ 23,4 milhões. O valor corresponde a mais de 67% de todos os recursos aplicados no mercado imobiliário durante quase três décadas.
A maior parte das transações imobiliárias foi conduzida por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos. A entidade funciona como empresa para administração dos bens familiares. A firma possui natureza jurídica de sociedade limitada. Viviane e os dois filhos do casal, Alexandre e Giuliana, são os sócios.
Moraes não consta formalmente como sócio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos. O ministro é casado com Viviane sob regime de comunhão parcial de bens. Nessa modalidade, os bens adquiridos durante o matrimônio integram o patrimônio comum do casal. As propriedades compradas após o casamento pertencem a ambos os cônjuges.
Diversas aquisições antigas que permanecem sob posse da família foram transferidas para a firma ao longo do tempo. Outras propriedades foram compradas diretamente pelo Lex Instituto. A estratégia de centralizar as operações em uma única pessoa jurídica caracteriza o padrão adotado nas movimentações patrimoniais.
Em fevereiro deste ano, o Lex Instituto transferiu R$ 166 mil como sinal para a compra de um apartamento de 86 metros quadrados no Jardim Paulista, bairro nobre de São Paulo. No dia 9 de março, a empresa quitou o restante do valor por meio de uma transferência via Pix de R$ 883 mil. O total da propriedade foi de R$ 1,05 milhão.
A mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, região mais valorizada de Brasília, foi arrematada em agosto de 2025 por R$ 12 milhões junto à Construtora Modelo. A operação envolveu o pagamento inicial de R$ 6 milhões destinados à construtora e aos corretores envolvidos na negociação. Uma transferência bancária de outros R$ 6 milhões completou o valor integral da transação.
Quatro meses antes dessa aquisição, o casal adquiriu um apartamento em edifício de alto padrão localizado em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira. A propriedade complementa outra unidade no mesmo condomínio, comprada em 2014. As duas unidades, posicionadas lado a lado, totalizam 727 metros quadrados. O investimento foi de R$ 8 milhões.
O patrimônio imobiliário da família inclui sete propriedades na capital paulista. Entre elas, destacam-se dois apartamentos no Jardim América, adquiridos em 2021 pelo valor de R$ 3 milhões cada. As escrituras registradas em cartório especificam que ambas as compras foram realizadas à vista.
A família mantém quatro lotes em São Roque, município do interior paulista. Os terrenos somam 1.250 metros quadrados. A diversificação geográfica das propriedades abrange áreas metropolitanas, regiões interioranas e turísticas.
Em 2025, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados desembolsou R$ 350 mil na compra de uma sala comercial no Edifício Terra Brasilis, localizado no centro de Brasília. A aquisição visou estabelecer um ponto fixo para a filial da capital federal. A decisão de investir em espaço próprio ocorreu após a banca ampliar suas operações em Brasília no final de 2024.
O escritório também detém participação de 4% em uma sala no Edifício Diâmetro, situado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. O endereço constitui um dos principais eixos do mercado financeiro brasileiro. Esta propriedade foi arrematada em leilão judicial.
A atuação do escritório passou a receber críticas após a divulgação do contrato da banca com o Banco Master no montante de R$ 129 milhões por três anos. Consulta realizada pelo jornal a 13 dos maiores escritórios de advocacia do país revelou que os valores pagos pelo Master a Viviane destoam do praticado pelo mercado de advocacia de elite.
Em nota divulgada no dia 9 de março, o Barci de Moraes Advogados detalhou os serviços prestados à instituição financeira. A advogada sustenta que, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, prestou serviços jurídicos nas áreas de compliance e direito criminal ao banco. Os pagamentos mensais foram de R$ 3,6 milhões.
Ao longo de 21 meses, o escritório faturou ao menos R$ 75,6 milhões com a instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário é investigado em inquérito no STF sob suspeita de operar um esquema bilionário de fraudes financeiras. Especialistas consultados pelo jornal avaliaram que o trabalho prestado na área de compliance não excederia os R$ 10 milhões nas grandes firmas do ramo.
Entre 1997 e 2014, período anterior às aquisições recentes, Moraes e Viviane compraram 25 imóveis, incluindo casas, lotes, apartamentos e salas comerciais. Nesse intervalo de 17 anos, o casal gastou R$ 12,2 milhões. O valor representa aproximadamente metade dos R$ 23,4 milhões desembolsados apenas nos últimos cinco anos.
A diferença no volume de investimentos imobiliários entre os dois períodos evidencia uma aceleração nas aquisições. O padrão de compras do casal mudou após a nomeação de Moraes para o STF em 2017. Os registros em cartório demonstram que todas as transações recentes foram realizadas à vista.
Em março de 2024, Moraes e Viviane venderam, por meio do Lex Instituto, um apartamento e uma vaga de barco no Guarujá, litoral sul de São Paulo, por R$ 1,4 milhão. Os compradores eram Maria Erotides Antunes e Persio Vinicius Antunes, advogado com ações na Corte.
Três anos antes da transação imobiliária, o ministro havia concedido, por decisão monocrática, um habeas corpus a um dos clientes de Persio Antunes. O réu estava preso preventivamente por estelionato na época. A acusação envolvia um golpe de pouco mais de R$ 6 mil.
"Não tenho relação com ele, nunca o conheci. Comprei o apartamento de uma pessoa jurídica que não pertence a ele", declarou Persio Antunes. O advogado disse que a compra foi feita diretamente de uma pessoa jurídica.
A sala comercial do escritório de Viviane em Brasília foi adquirida em 2025 junto a uma advogada que tem ações no STF. A profissional nunca teve processo sob a relatoria de Moraes. O imóvel está localizado no Edifício Terra Brasilis, no centro da capital federal. Foi comprado por R$ 350 mil.
A Magnitsky caiu, mas um dos maiores medos de Moraes ainda está disponível para o povo: o polêmico livro "Supremo Silêncio". A perseguição contra parlamentares, jornalistas e outros absurdos que começaram no famigerado Inquérito das Fakes News foram expostos! Se apresse, a censura está de olho nessa obra! Clique no link abaixo:
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