A poderosa arma do regime iraniano

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O fechamento do estreito de Ormuz sempre foi uma ameaça velada do regime iraniano como resposta a qualquer ataque. Uma coisa, no entanto, é a ameaça teórica, outra, completamente diferente, a sua concretização. Ninguém tinha clareza sobre a real capacidade de o Irã levar a cabo a sua ameaça, ou mesmo, sobre sua resolução de enfrentar a fúria das maiores potências globais, ameaçadas em seu suprimento de petróleo.

Os ataques conjuntos de EUA/Israel, decapitando os principais personagens do regime, além da destruição de boa parte de sua capacidade bélica, não deixou ao regime iraniano outra alternativa, a não ser testar o impensável: fechar o estreito. O que era apenas uma hipótese militar, tornou-se realidade. E o pior: o fechamento demonstrou-se muito mais fácil do que se imaginava. Não foi necessária uma força militar com presença constante na região. Bastou atacar alguns petroleiros de vez em quando e colocar (ou fingir colocar) minas na região, para que os prêmios de seguro explodissem, e as próprias companhias de transporte se recusassem a fazer o trajeto. É como um morro dominado pelo tráfico. Não é preciso matar, basta a ameaça. Para neutralizar a ameaça, é preciso mandar soldados em terra, o que nem EUA e nem Israel se mostraram dispostos até o momento.

Uma operação que começou com os nobres objetivos de derrubar o regime e neutralizar a capacidade nuclear e militar do Irã, foi se metamorfoseando ao longo dos dias para uma operação destinada a liberar o estreito de Ormuz. Tanto é assim que, apesar da retórica retumbante, o cessar fogo e as negociações começam com base nos 10 pontos exigidos pelo Irã, muitos deles inaceitáveis.

A concretização do fechamento do estreito revela aos dirigentes iranianos uma arma tão ou mais poderosa do que um arsenal nuclear. Os EUA de Trump toparam parar de bombardear o país em troca da reabertura do estreito. Se nada avançar, daqui a duas semanas Trump terá à sua frente duas alternativas: continuar negociando o que quer que seja, ou escalar a guerra, atacando alvos civis. Continuar a negociar dará ao regime iraniano tempo para se reorganizar, que é tudo o que precisam. Escalar a guerra, por outro lado, significará jogar a região em uma zona desconhecida, com efeitos devastadores para os preços do petróleo.

Minha torcida, obviamente, é pela queda desse regime assassino e desestabilizador. No entanto, é forçoso reconhecer que, enquanto o mundo depender do petróleo que passa pelo estreito de Ormuz, o regime iraniano não terá escrúpulos em usar essa arma sempre que necessário.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

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