AO VIVO: Lula cai na armadilha de Alcolumbre — e pode enfrentar derrota histórica no Senado (veja o vídeo)
10/04/2026 às 06:50 Opinião
Nos bastidores de Brasília, um movimento aparentemente técnico pode se transformar em um dos maiores constrangimentos políticos de um presidente da República desde o século XX.
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal expôs muito mais do que uma escolha jurídica. Expôs, sobretudo, uma possível falha grave de leitura política por parte de Luiz Inácio Lula da Silva — e um jogo arriscado conduzido por Davi Alcolumbre. A questão central é simples: os votos não fecham.
Para ser aprovado ao Senado Federal do Brasil, um indicado ao STF precisa de pelo menos 41 votos. O que se observa hoje, porém, é um cenário em que Messias dificilmente ultrapassa a casa dos 35 votos — um número insuficiente e, mais grave, conhecido por quem opera o tabuleiro político. É aqui que entra o ponto crítico.
Se Alcolumbre, figura central na articulação do Senado, sinalizou ao Planalto que havia votos suficientes, há apenas duas hipóteses plausíveis: ou perdeu completamente o controle da própria base — o que é improvável — ou está blefando.
E, ao que tudo indica, Lula comprou esse blefe.
A possível rejeição de um indicado ao STF não é apenas uma derrota pontual. É um evento raríssimo — praticamente inexistente na história recente brasileira. Desde o século XX, o Senado consolidou uma tradição de aprovação dos nomes enviados pelo Executivo, ainda que com resistências pontuais. Romper esse padrão significa muito mais do que rejeitar um nome: significa romper a lógica de governabilidade.
Se isso se concretizar, o impacto será direto e profundo.
Primeiro, atinge a autoridade presidencial. Um presidente que não consegue aprovar um ministro do Supremo demonstra fragilidade extrema na articulação política — especialmente em um terceiro mandato, quando se espera domínio pleno do sistema.
Segundo, desorganiza a base aliada. Parlamentares passam a recalibrar suas posições diante de um Executivo enfraquecido, ampliando o custo político de qualquer negociação futura.
Terceiro, reposiciona o próprio Senado como protagonista. A Casa deixa de ser apenas homologadora e passa a exercer poder real de veto — o que altera o equilíbrio entre os Poderes.
Mas há um elemento ainda mais sensível.
Se Alcolumbre de fato conduziu Lula a esse cenário, estamos diante de um movimento estratégico sofisticado: expor publicamente a fragilidade do presidente sem confrontá-lo diretamente. Um blefe bem executado não apenas engana — ele induz o adversário a tomar decisões que o enfraquecem por conta própria. E foi exatamente isso que pode ter ocorrido.
Ao insistir em um nome sem lastro político suficiente, o Planalto corre o risco de protagonizar uma derrota histórica, com efeitos que vão além da indicação ao STF. Trata-se de um teste de força — e, neste momento, todos os sinais apontam para um desequilíbrio perigoso.
Se a rejeição se confirmar, não será apenas a queda de um indicado. Será a exposição, em escala nacional, de um governo que perdeu a capacidade de transformar vontade em voto.
E, em política, esse é o começo do fim.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral