Dilma pode estar mais próxima da renúncia

O Vice-presidente Michel Temer roga pela unificação do país e alerta para o que disse ‘nas entrelinhas’

Dilma pode estar mais próxima da renúncia

O Vice-presidente Michel Temer roga pela unificação do país e alerta para o que disse ‘nas entrelinhas’

Num dia de intenso movimento nos gabinetes de Brasília com muita tensão embaraçando o semblante dos ocupantes dos mais altos cargos do Executivo Federal, Michel Temer diz o que os petistas resistem admitir:

“Na pauta dos valores políticos temos, muitas vezes, a ideia de partido político como valor, do governo como valor e do Brasil como um valor, mas nessa pauta de valores, o mais importante é o valor Brasil, o valor país e estamos pleiteando exata e precisamente que todos se dediquem a resolver os problemas do país. Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvidas de que é grave porque há uma crise política se ensaiando, uma crise econômica que está precisando ser ajustada, mas, para tanto, é preciso contar com o Congresso Nacional, com os vários setores da nacionalidade brasileira. (...) É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo, e eu estou tomando esta liberdade de fazer este pedido porque, caso contrário, podemos entrar numa crise desagradável para o país. (...) É o apelo que faço aos brasileiros e as Instituições no Congresso Nacional.”

Os mais atentos logo leem o pensamento do Vice-presidente: Dilma perdeu as rédeas da governabilidade. A Presidente não consegue mais impor a sua própria agenda seja porque o Congresso não atende as suas demandas, seja porque a oposição sem grande esforço desconstrói as pretensões do governo seja porque a base aliada se diluiu.

As sucessivas derrotas do governo nas duas Casas Legislativas colocam em xeque a figura de Joaquim Levy dentro e fora do país.

Vendo frustradas as tentativas de emplacar medidas amargas para corrigir a economia, porque devolve exclusivamente para o colo do povo a conta de sua desastrosa política populista, que agora cobra caro, a Presidente se isola em seu gabinete obrigando, por via oblíqua, a manifestação de seu vice.

Dilma Rousseff perdeu a capacidade de governar o país.

Sem o apoio do povo, sob a desconfiança e o desconforto de seus colabores diretos, sob o fogo amigo de Lula e com a sociedade raivosa e quase anômica, a Presidente perece visivelmente diante da nação.

O PT tenta arrostar os contrários numa manobra desesperada de preservar o partido e, principalmente, manter ilibada a figura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os congressistas petistas e da base aliada já não conseguem inovar o discurso e procuram manter acesa a chama que um dia iluminou o caminho do PT para o Planalto sustentando-se numa retórica velha e desmascarada.

Só os petistas não veem! Dilma não é mais que um acessório no Palácio do Planalto.

Outro sinal de que o guia perdeu o rumo foi a fala de Aloisio Mercadante, aquele que por ordem de Lula deveria calar-se e, à sua ordem, foi afastado da articulação política do governo, sendo substituído por Michel Temer.

Participando de audiência pública na Câmara dos Deputados nesta manhã (05/08), Mercadante assumiu que o governo perdeu o controle e deu a entender que a crise se agiganta: “Vivemos um momento politizado, com erros que cometemos e se comete quando se governa”, disse.

Não é torcer contra, mas encarar a realidade. O Brasil passa por um momento tormentoso, com a economia em franca marcha na direção de um desequilíbrio profundo e perigoso. Aquela polarização entre PT e PSDB evaporou como nuvem e passou para um estado mais desastroso ainda. As contradições entre as posições dos partidos da base aliada faz desaparecer por completo a sustentação do governo e coloca o país numa rota de colisão com a realidade; o tempo do Partido dos Trabalhadores acabou, Lula acabou, Dilma acabou, o Governo está acabando.

Esta não seria a melhor maneira de encerrar um período governista, mas se não há outro caminho, que assim seja.

Há quem acredite que estejamos vivendo uma crise institucional, o que não é verdade. As instituições estão fortes e funcionando. O que está em decadência são a moral e a ética de seus comandantes. Quando tudo está muito confuso, tanto melhor para os oportunistas e desta armadilha é que o país precisa desvencilhar-se.  

Por mais que brotem do chão, nas árvores ou venham com o vento os emissários do Partido dos Trabalhadores a tentar me convencer de que tudo está no seu lugar, apesar dos pesares, continuo firme na minha crença de que a reeleição de Dilma Rousseff foi um grande erro e um monstruoso engodo, dado que está provado.

Os dias de abundância ficaram para trás. O único e inexorável caminho agora é à frente para recuperar o que foi perdido por incompetência, ganância e improbidade dessa súcia populista.

Desafiaram a razão e descobriram que nem toda lógica é coerente. A política de benesses exageradas dos dois mandatos de Lula e do primeiro de Dilma nos trouxe até aqui, agora é preciso corrigir.

Se toda lógica fosse coerente, Dilma faria um segundo mandato coroado e, certamente nas palavras dos petistas, seria ela a segunda melhor Presidente que o Brasil já teve depois de Lula. Uma falácia!

Numa expressão em latim: “post hoc ergo propter hoc”, ou seja, “depois disso, logo, por causa disso”. Mas, para o caso aqui, não vale. E, provo: há um ditado popular que diz “o galo canta e logo após nasce o sol”; há dia que nasce acompanhado do canto do galo e o sol não vem, bem como, o nascer do sol num novo dia independe de o galo cantar.

Assim é Dilma hoje, ou um dia sem sol ou um dia sem galo. O dia é a única lógica válida.

JM Almeida

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JM Almeida

João Maurino de Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. 

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