O grito dos desesperados e o silêncio dos algozes: Quando a crise é ignorada por tempo demais, o desfecho é a morte
18/04/2026 às 07:24 Opinião
A imagem de Jair Bolsonaro, ainda deputado, falando quase sozinho no plenário da Câmara dos Deputados e alertando para o risco de o Brasil se “venezuelizar” parecia, para muitos, apenas mais um exagero político. Hoje, porém, o país assiste a uma realidade em que o alerta mudou de forma, mas não perdeu a gravidade.
Nicolás Maduro foi preso. Bolsonaro também está preso. E, no meio desse abismo político e institucional, multiplicam-se os brasileiros que se declaram perseguidos, silenciados, punidos ou banidos da vida pública. O que antes era discurso virou clamor.
Os desdobramentos dos Ataques de 8 de janeiro de 2023 produziram centenas de condenações, penas severas, exílios, foragidos, famílias dilaceradas e mortos que passaram a simbolizar o sofrimento de um país rachado. Entre eles, o nome de Cleriston Pereira da Cunha permanece como ferida aberta — não apenas para os seus, mas para todos os que enxergam nesse episódio o retrato de um Estado que pune sem jamais pacificar.
Todos os dias surgem novos pedidos de socorro. Vozes como a de Débora, idosos em desespero, famílias destruídas pela espera, pela distância, pelo medo e pela sensação de abandono — relatos de maus-tratos e abusos. Há quem tenha trocado os anos de aposentadoria por uma rotina de angústia, incerteza e sofrimento. Para muitos, a pena já não é apenas jurídica: tornou-se existencial.
A condenação, quando deixa de ser compreendida como justiça e passa a ser sentida como vingança, corrói por dentro a própria ideia de Estado de Direito. A morte lenta — emocional, moral, social — avança em etapas, como um cruel jogo de terror, diante de uma nação que assiste, se acostuma e silencia.
Estamos no quarto ano desde a ruptura que tantos denunciam como tomada de poder. O que era um grito isolado tornou-se uma multidão pedindo socorro. E o mais grave: o número dos que se sentem perseguidos cresce na mesma medida em que diminui a capacidade nacional de se indignar.
A caixa de marimbondos foi cutucada. E os insetos já não atacam um grupo apenas: espalham medo, desordem e destruição por toda a nação. Quem deterá essa fúria?
A crise brasileira já não é apenas política. É ética, moral, social e espiritual. E toda crise que se prolonga além do limite do socorro deixa de ser crise: transforma-se em sentença. Sentença de morte!
O Brasil dos patriotas pede socorro.
A pergunta que resta é esta: quem ainda terá coragem de responder?
Estamos diante de uma escravidão coletiva?
Eleições à vista.
E todas as estratégias — e estratagemas — usadas nas eleições passadas parecem permanecer em pleno vigor.
Tudo pronto para repetir 2022.
Só copiar. E colar.
O Brasil aguenta mais quatro anos de crise, polarização e vingança declarada?
Não.
Então, reaja, Brasil!
Bernadete Freire Campos
Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.