Legado político se respeita. É hora de os jovens assumirem as rédeas do Brasil

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Nos últimos dias, uma declaração chamou atenção não pelo conteúdo em si, mas pela origem e pelo contexto em que foi proferida. Um maquiador, próximo à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, decidiu opinar publicamente sobre a capacidade política do senador Flávio Bolsonaro, classificando sua imagem como “engessada” e distante das classes populares.

A questão que se impõe não é se ele tem direito à opinião — todos têm. A verdadeira questão é: qual o peso dessa opinião e a quem ela serve?

Vivemos um tempo em que a política deixou de ser analisada por trajetórias, propostas e coerência, passando a ser julgada por narrativas, recortes e conveniências momentâneas. A fala em questão parece menos uma análise política e mais um movimento estratégico dentro de um cenário maior: o da construção e desconstrução de imagens.

Chama atenção o contraste: ao mesmo tempo em que critica Flávio Bolsonaro por uma suposta falta de conexão popular, o mesmo interlocutor aponta Michelle Bolsonaro como alternativa mais viável. Não se trata aqui de avaliar nomes, mas de evidenciar a incoerência do argumento. Se o critério é conexão com o povo, ele deve se sustentar em fatos concretos — e não em preferências pessoais ou proximidades.

Outro ponto sensível é a crítica ao momento do anúncio da pré-candidatura, classificado como “deplorável” por ter ocorrido durante uma internação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse tipo de julgamento moral, além de subjetivo, ignora completamente a dinâmica política, que não se submete a pausas emocionais ou familiares. A política não é regida por calendários afetivos, mas por estratégia, oportunidade e pelo momento certo.

Também vale lembrar que a indicação de Flávio como pré-candidato foi formalizada por Jair Bolsonaro em carta divulgada no fim de 2025, o que confere ao tema peso político e simbólico dentro do próprio grupo.

Agustin afirma, em sua entrevista, algo preocupante: o atual presidente teria a seu favor “o Judiciário, a máquina e a mídia”. Ainda que apresentada como constatação, essa declaração levanta uma questão séria: a de que o jogo político já estaria previamente definido por forças estruturais, e não pela vontade popular.

Se isso for verdade, temos um problema institucional grave.

Se não for, trata-se de um discurso que se enquadra no terreno da desinformação.

Em ambos os casos, o impacto é negativo para a verdadeira democracia.

O Brasil não precisa de mais opiniões superficiais travestidas de análise política. Precisa de responsabilidade. Precisa de coerência. E, sobretudo, precisa que o debate público seja conduzido por quem compreende a dimensão das palavras que pronuncia.

A política brasileira já enfrenta crises suficientes — de confiança, de representatividade e de legitimidade. Transformá-la em palco de falas impulsivas, baseadas em vínculos pessoais e não em argumentos sólidos, apenas agrava o cenário.

Sem deixar de observar que, mesmo sob as melhores intenções, existe uma disputa de egos e de poder. Um poder que, não raras vezes, pode ser tomado por quem vender a narrativa mais convincente.

No fim, resta uma pergunta simples, mas essencial: estamos discutindo o Brasil ou apenas disputando narrativas?

Flávio Bolsonaro é, na minha humilde opinião, a escolha de quem construiu um capital político relevante e hoje se encontra impedido de dar continuidade direta aos seus projetos para o país. Indicar um filho é, ao mesmo tempo, um gesto de confiança e de transferência de responsabilidade. É colocar nas mãos de um jovem parte do futuro da nação, abrindo espaço para uma nova geração assumir protagonismo na condução do Brasil.

Será que já não é hora de acreditar na juventude?

Bernadete Freire Campos

Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.

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