A semana se encerra com mais uma bomba que liga o governo ao caso Master

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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esteve em reunião com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Belo Horizonte. O encontro ocorreu na noite de 27 de outubro de 2024, durante o segundo turno das eleições municipais. A informação consta em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro.

Vorcaro comunicou à namorada, Martha Graeff, que estava em casa reunido com um ministro e com Eduardo Wanderley, conhecido como Duda, amigo do ex-banqueiro e cuja família tem investimentos em diferentes setores. Ele é sócio da 3D Mineração, por exemplo, que foi financiada pelo Master para disputar leilão organizado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Vorcaro mencionou que mantinha "negócios de mineração" com o empresário. As conversas apreendidas pela PF revelam conexões de Vorcaro no setor mineral. A família Wanderley possui empreendimentos em diversos setores, incluindo mineração.

Cruzamento de dados públicos identificaram que Silveira era o ministro que estava em Belo Horizonte naquela data. Político mineiro, ele votou e acompanhou a vitória do candidato que apoiava, Fuad Noman.

Cinco pessoas que acompanham a cena empresarial de Minas Gerais, ouvidas sob condição de anonimato pelo jornal Folha de S.Paulo, afirmam que a proximidade entre Silveira e a família Wanderley é conhecida há anos. Segundo essas fontes, o ministro se aproximou de Vorcaro à medida que o banqueiro ganhou projeção no mercado.

Vorcaro e Duda foram questionados sobre o que foi discutido naquela reunião, na noite daquele domingo, 27 de outubro.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia disse que o ministro mantém interlocução com agentes públicos e privados dentro da normalidade institucional, sem favorecimentos.

"O ministro Alexandre Silveira rechaça, de forma categórica, quaisquer ilações que associem agendas institucionais ou compromissos pessoais a interesses indevidos."

A defesa de Vorcaro entendeu que não cabe comentar o que qualifica como "conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso". E destacou:

"Trata-se, inclusive, de fatos que já são objeto de investigação criminal determinada pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Qualquer manifestação sobre informações obtidas dessa forma apenas reforçaria a disseminação de conteúdos cuja divulgação é, em si, objeto de apuração". 

Duda não se manifestou.

Depois que esses fatos vieram à tona, o MME enviou nota complementar dizendo que o ministro não participou de reunião com empresários ou tratou de quaisquer temas relacionados a negócios privados na data mencionada.

"No dia 27 de outubro de 2024, após cumprir agenda pública, o ministro retornou à sua residência."

A Folha de S.Paulo que realizou o trabalho investigativo, manteve a informação, contrariando a nota do MME.

Por outro lado, vale salientar que Silveira e membros da família Wanderley possuem forte ligação, inclusive compartilham jatinhos. A família Wanderley figura entre as mais importantes na economia mineira. Os empreendimentos mais conhecidos do grupo incluem as construtoras Cowan e Wanmix. A família de Alexandre Silveira também desenvolveu negócios prósperos no setor de construção.

Os Wanderley são reconhecidos pela influência política e atuam frequentemente como doadores em campanhas eleitorais. Na área de mineração, dois negócios da família estabelecem conexões diretas com Daniel Vorcaro: o fundo Victoria Falls e a mineradora 3D.

A mineradora 3D representa um empreendimento mais recente. No mercado, os três Ds fazem referência aos nomes dos dois sócios, os irmãos Eduardo e Daniel Wanderley, e a Daniel Vorcaro. Vorcaro financiou a empresa sem participar como sócio.

O jornal Folha de S. Paulo antecipou que a empresa foi criada 46 dias antes de arrematar 116 áreas em leilão da Agência Nacional de Mineração. O leilão foi realizado em agosto de 2024. Em um dos lotes, a 3D alegou ter registrado de forma não intencional um zero a mais após vencer.

O erro multiplicou o valor do lance por dez. A empresa solicitou correção para reduzir o valor. A diretoria da agência acatou o pedido no fim de 2024. A decisão contrariou parecer da área técnica, mas seguiu orientação do relator Caio Seabra Filho.

Seabra Filho foi indicado pelo ministro Silveira para a ANM. A decisão gerou questionamentos no Tribunal de Contas da União. A defesa de Seabra Filho informou que ele não é investigado nessa questão.

A defesa afirmou que Seabra Filho reconhece que o melhor seria não ter atendido o pleito da 3D e realizado novo leilão da área. Segundo a defesa, um pedido semelhante havia sido acatado anteriormente por diretores da agência.

Meses depois da polêmica envolvendo a 3D Mineração, Caio Seabra Filho apareceu em um escândalo. Em setembro de 2025, ele estava entre os 11 agentes públicos e empresários presos na Operação Rejeito.

A operação investigou suspeitas de participação em organização criminosa para facilitar extração e venda ilegais de minério de ferro na Serra do Curral. A defesa de Seabra Filho nega as acusações. "Confiamos que a investigação em curso apenas confirmará a absoluta regularidade da sua conduta", afirmou em nota.

Segundo a Polícia Federal, um dos líderes da organização seria o empresário e ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages. Lages é acusado de atuar como "diretor de relações institucionais" do grupo investigado pela operação.

João Alberto Paixão Lages contribuiu financeiramente para a campanha eleitoral de Alexandre Silveira. A doação de R$ 100 mil ocorreu em 2022, quando Silveira disputava uma vaga no Senado Federal.

O Ministério de Minas e Energia esclareceu que, embora a doação conste na prestação de contas de Silveira no Tribunal Superior Eleitoral, o valor foi destinado ao suplente da coligação, Virgílio Guimarães. Guimarães mantinha conta bancária específica para esse fim.

"Importante ressaltar, ainda, que a doação foi realizada antes de qualquer relação com a pasta de Minas e Energia, uma vez que o ministro era senador da República", informou a pasta em nota oficial.

A Operação Rejeito resultou na prisão de 11 pessoas, entre agentes públicos e empresários. O material que fundamentou a operação foi colocado sob sigilo no Supremo Tribunal Federal em outubro de 2025. A relatoria ficou a cargo do ministro Dias Toffoli. Silveira não foi mencionado nos documentos da investigação.

A teia de relações no setor de mineração envolve também a Itaminas. O banqueiro Daniel Vorcaro detinha 66,66% de participação na empresa.

Em agosto de 2025, Vorcaro foi eleito presidente do conselho de administração da Itaminas. Em meio à crise enfrentada pelo Banco Master, renunciou ao cargo em outubro do mesmo ano. No mês seguinte, vendeu sua participação acionária aos sócios remanescentes.

Durante o período em que Vorcaro controlava a empresa, a Itaminas firmou contrato de arrendamento de minas da Vale localizadas em Brumadinho. O faturamento registrou crescimento superior a 30% entre 2024 e 2025.

O arrendamento ocorreu em contexto de pressão do governo federal sobre a Vale para ceder áreas minerárias inativas a empresas de menor porte. O ministro Alexandre Silveira liderou publicamente essa campanha.

"É irresponsável o que, infelizmente, temos por parte das grandes mineradoras no país", declarou Silveira em março de 2024, durante a inauguração de um complexo de fertilizantes em Minas Gerais. "É inaceitável que algumas fiquem 50 anos com os direitos minerários sem explorá-los."

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