
A tríade do abismo: O STF e os círculos do inferno Dantesco na política brasileira

25/04/2026 às 15:18 Opinião

Imagem produzida através de Inteligência Artificial.
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Na cosmologia política brasileira contemporânea, as figuras dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli emergem como arquitetos de um ordenamento que ecoa as estruturas do Inferno de Dante Alighieri. Não se trata de uma condenação teológica, mas de uma metáfora sobre a centralização do poder, a distribuição da punição e a criação de círculos concêntricos de influência e contenção que lembram a geografia do abismo dantesco.
Alexandre de Moraes, perpétuo presidente do "Inquérito das Fake News" e dos atos de 8 de janeiro, é o guardião dos círculos inferiores, onde os supostos crimes contra a própria estrutura do Estado, analogamente à traição dantesca, são punidos com isolamento preventivo e penas severas. Suas decisões recentes, que estendem investigações e mantêm prisões, criam um "Cócito" jurídico para aqueles que ousaram "desafiar a ordem" que ele se impôs proteger, congelando-os em um estado de exceção processual perpétuo.
Gilmar Mendes, decano e mestre da articulação política e jurídica, opera como um Minos moderno no limiar do abismo. Ele detém o poder de classificar e redirecionar os fluxos do poder. Suas decisões e suas "intervenções" em defesa da Corte, funcionam como o rabo da besta mítica, definindo qual círculo de segurança ou de vulnerabilidade jurídica cada ator político ou econômico deve ocupar. Ele molda a topografia do inferno político, garantindo que a "alta governabilidade" sobreviva, mesmo que às custas da previsibilidade legal inferior.
Dias Toffoli, por sua vez, representa a figura da instabilidade e da ambiguidade que permeia certos círculos de Dante. Sua trajetória recente, marcada pela relatoria e posterior saída do caso do Banco Master devido a conexões familiares, evoca os círculos da fraude e da corrupção, onde a linha entre o público e o privado se dissolve. Suas decisões, que ora beneficiam réus de colarinho branco com anulações de provas, ora reformam entendimentos consolidados, criam um terreno lamacento e inconstante, um "Pântano Estígio" onde a segurança jurídica se afoga na conveniência do momento, e as almas processuais vagam sem saber se encontrarão a salvação de um "habeas corpus" ou a danação de uma nova interpretação.
Juntos, os três ministros construíram um sistema onde o julgamento é onipresente, a punição é discricionária e a saída depende não da justiça universal, mas da navegação astuta pelos círculos de poder que eles próprios delimitam.
Henrique Alves da Rocha
Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.






