O império empresarial bilionário da elite secreta de Cuba
26/04/2026 às 06:58 Opinião
Matéria publicada pela BBC diz o seguinte:
“Enquanto Cuba enfrenta a escassez e os apagões, um conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas do país administra secretamente bilhões de dólares.
A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.) não tem website, nem endereço de correio eletrônico institucional conhecido, nem canais oficiais de contato. Ela não publica balanços, nem aparece no orçamento estatal.
A Assembleia Nacional do Poder Popular e a Controladoria Geral da República de Cuba não podem auditar suas contas — mesmo com a empresa embolsando praticamente cada dólar recebido pelos negócios mais rentáveis do regime cubano: turismo, remessas financeiras, comércio exterior e missões médicas no estrangeiro.
A holding pertence às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), mas também não está sob seu controle.”
Leandro Ruschel faz as seguintes ponderações sobre o tema:
Em 2024, ela possuía bens no valor de pelo menos US$ 17,9 bilhões (cerca de R$ 89,4 bilhões), incluindo mais de US$ 14,4 bilhões (cerca de R$ 71,9 bilhões) em contas bancárias, segundo documentos vazados para o jornal americano Miami Herald.
O comunismo nunca se realizou em parte alguma. O mesmo vale para o socialismo na definição marxista: a tomada dos meios de produção pelo Estado, como etapa de transição ao comunismo. E há razões teóricas sólidas para crer que jamais se realizará.
A primeira razão é econômica. Foi formulada com clareza definitiva por Ludwig von Mises em 1920 e refinada por Friedrich Hayek nas décadas seguintes: sem propriedade privada dos meios de produção, não há mercado de fatores; sem mercado de fatores, não há preços; e sem preços, é literalmente IMPOSSÍVEL calcular se um determinado uso de recursos é mais ou menos eficiente que outro. Ou seja, o planejador central, por mais bem-intencionado e tecnicamente capaz que seja, opera no escuro.
Some-se a isso o argumento hayekiano do conhecimento disperso. A informação relevante para coordenar uma economia complexa está distribuída entre milhões de agentes, sob forma tácita, e não pode ser agregada por nenhum órgão central. Na prática, o mercado é, antes de tudo, um mecanismo de processamento de informação. Nenhum substituto burocrático jamais demonstrou ser capaz de replicá-lo.
Daí a segunda razão, que é empírica. Em todo país que tentou suprimir o mercado, da União Soviética a Cuba, da Coreia do Norte à Venezuela chavista, passando pelo Camboja, o que se observou não foi a abolição da economia de troca, mas seu deslocamento para a clandestinidade, na forma de mercados negros, economias paralelas e redes informais de favores. A troca de mercado é como a água: se você tampa um lado, ela escoa pelo outro. Vale lembrar que, sem essa "segunda economia", regimes socialistas teriam colapsado muito antes do que efetivamente colapsaram.
A terceira razão é política, e talvez a mais importante. A promessa marxista é a da abolição das classes. O resultado prático, sem exceção, foi a emergência de uma NOVA CLASSE, para usar o termo cunhado em 1957 por Milovan Djilas, antigo dirigente comunista iugoslavo. Trata-se dos quadros do partido, que passam a controlar simultaneamente o aparelho estatal e o aparelho produtivo.
A teoria da escolha pública, desenvolvida por James Buchanan e Gordon Tullock, explica por quê: agentes estatais respondem a incentivos próprios, não ao "bem comum" abstrato. Na prática, quando você concentra todo o poder econômico nas mesmas mãos que detêm o poder político, o resultado não é a igualdade prometida. É a superconcentração de poder numa nomenclatura, em escala que nenhum capitalista jamais sonhou alcançar. Não por acaso: é exatamente o que os incentivos institucionais previam.
No fim das contas, a proposta marxista não cumpre o que promete. Ela NÃO PODE cumprir, por razões estruturais conhecidas há mais de um século. Quem ainda a defende, ou desconhece esses argumentos, ou os conhece e prefere ignorá-los - em geral porque pertence ao grupo que se beneficiaria da revolução, ou porque opera com pressupostos normativos que valoram a igualdade de resultados acima da liberdade individual e do próprio bem-estar material agregado.
Leandro Ruschel.
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da Redação