
Quando a política flerta com a violência: O alerta que não pode ser ignorado

29/04/2026 às 08:55 Opinião

A política moderna atravessa um terreno perigoso. O episódio envolvendo um possível atentado contra o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda que cercado de dúvidas e informações desencontradas, reacende um debate que vem ganhando força em várias democracias:
Até onde vai a disputa política — e onde começa a violência?
UMA ERA DE RADICALIZAÇÃO
No Brasil, o alerta não é teórico.
Em 2018, o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado a faca durante ato de campanha em Juiz de Fora.
O ataque quase lhe custou a vida.
O episódio marcou profundamente o cenário político nacional e deixou evidente que a violência não é uma abstração importada — ela já se manifestou de forma concreta no país.
- Não foi um debate.
- Não foi um confronto de ideias.
- Foi uma tentativa de eliminação física de um adversário político.
Nos últimos anos, o mundo assistiu a uma escalada de tensão política.
Nos Estados Unidos, episódios graves marcaram esse cenário:
- o ataque ao Capitólio em 2021
- ameaças a autoridades públicas
- crescimento de grupos extremistas
Na Europa e na América Latina, o roteiro se repete:
- perseguições políticas
- atentados isolados
- discursos cada vez mais agressivos
A política deixou de ser confronto de ideias.
Passou a flertar com o confronto físico.
NARRATIVAS QUE ALIMENTAM O CONFLITO
Quando um lado passa a tratar o outro como inimigo absoluto, o terreno para a violência está preparado.
E isso não é exclusividade de um espectro ideológico.
Ideologias de esquerda tem aumentado e produzido:
- radicalização
- intolerância
- justificativas para atos extremos
A história é clara:
- regimes autoritários de esquerda estão cada vez mais perdendo terreno em situação mundial e não se conformam com isso
- violência política já custou vidas em diferentes contextos
O PERIGO DA SIMPLIFICAÇÃO
A tentativa de reduzir episódios complexos a uma única narrativa ideológica pode ser sedutora.
Mas é perigosa.
Porque ela:
- distorce a realidade – a mentira é uma realidade entre essas ideologias
- ignora nuances
- e transforma análise em propaganda
E propaganda não sustenta credibilidade.
DEMOCRACIA SOB PRESSÃO
O que está em jogo não é apenas um episódio isolado.
É o próprio ambiente democrático.
Quando a violência entra no jogo político:
- o debate morre
- o medo cresce
- e a institucionalidade enfraquece
Seja qual for a ideologia…
A violência política não pode ser normalizada. Adversário não pode virar inimigo a ser eliminado e disputa de poder não pode justificar agressão
A história já mostrou — mais de uma vez — onde esse caminho termina.
E a pergunta que fica não é sobre esquerda ou direita.
É sobre até quando a política continuará caminhando tão perto do abismo.
Jayme Rizolli
Jornalista.








