Mensagens do PCC vazam e revelam algo assustador envolvendo Brasília e eleições

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Mensagens obtidas do celular de João Gabriel de Melo Yamawaki, investigado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), indicam o envio de grandes quantias de dinheiro em espécie por meio de voos, com destino ao empresário goiano Adair Antônio de Freitas Meira.

As informações constam em representação da Polícia Civil encaminhada à Justiça no âmbito da Operação Contaminatio, deflagrada na segunda-feira (27/4), que resultou em pedidos de prisão contra Meira, Yamawaki e outras quatro pessoas.

De acordo com o documento, Meira realizava transferências para a fintech 4TBANK por meio de boletos considerados “possivelmente fraudulentos”, emitidos pela própria empresa. Os pagamentos eram feitos por empresas e fundações ligadas ao empresário. Posteriormente, os valores retornariam a ele em dinheiro vivo, com transporte feito, em grande parte, por aeronaves fretadas, principalmente helicópteros.

A investigação cruzou conversas entre os envolvidos com Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), indicando movimentações milionárias estruturadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Entre os registros analisados, consta que, em 22 de outubro de 2021, Meira pagou R$ 100 mil à 4TBANK. Na mesma data, Yamawaki emitiu um boleto de R$ 18,1 mil, referente a “5% da operação” de transporte aéreo, além de custos de deslocamento até Brasília, conforme diálogo citado pela polícia.

Outra movimentação relevante ocorreu em dezembro de 2021, quando há menção a um saque de R$ 1,38 milhão em espécie. Os valores foram retirados em quatro datas diferentes por Matie Obam, enteada de Yamawaki, também investigada no caso.

Conversas indicam ainda encontros presenciais para entrega de valores. Em 26 de janeiro de 2022, Yamawaki informou que chegaria ao Aeroporto de Brasília, e Meira respondeu que um veículo o aguardaria. Em seguida, houve menção à entrega de uma “bolsinha”, interpretada pela polícia como referência ao repasse de dinheiro.

Outros episódios investigados incluem um possível encontro em São Paulo para entrega de R$ 570 mil em espécie e uma reunião em Palmas (TO), onde cerca de R$ 2,5 milhões teriam sido repassados. A polícia classificou essas movimentações como parte do “caminho de volta do dinheiro”.

Em nota, a defesa de Adair Meira afirmou que rejeita qualquer associação do empresário a organizações criminosas ou práticas ilícitas. Segundo os advogados, as alegações sobre transporte de valores em espécie não possuem base concreta e se apoiam em elementos considerados frágeis, cuja autenticidade é contestada.

A defesa declarou ainda que o empresário mantém uma trajetória pautada pela legalidade e informou que pretende prestar esclarecimentos formais às autoridades.

A investigação teve origem em uma apreensão de drogas realizada em junho de 2023, em Itaquaquecetuba (SP), quando policiais encontraram cocaína e maconha em um imóvel. A partir do caso, foram identificadas conexões que levaram à descoberta de um suposto núcleo político ligado ao PCC.

A análise de celulares apreendidos revelou mensagens que mencionavam estratégias para influenciar eleições e indicavam esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo a fintech 4TBANK. Essas informações deram origem à Operação Decurio, realizada em agosto de 2024, que resultou na prisão de 13 pessoas, incluindo Yamawaki.

da Redação Ler comentários e comentar