AO VIVO: Lula na lona e Alckmin em aquecimento (veja o vídeo)

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Nos bastidores de Luiz Inácio Lula da Silva, o clima deixou de ser de controle e passou a ser de contenção de danos. Em Brasília, a percepção entre interlocutores políticos, parlamentares e até aliados históricos é direta: Lula entrou em um ciclo de desgaste que já não é mais episódico — é estrutural.

A sequência recente de derrotas, ruídos institucionais e perda de coordenação política começou a produzir um efeito mais profundo do que aparenta na superfície. Não se trata apenas de dificuldades de governabilidade. Trata-se de enfraquecimento de autoridade. E, em política, quando a autoridade começa a ser questionada, o processo de substituição entra no radar — mesmo que de forma silenciosa.

É nesse contexto que cresce, nos bastidores, uma conversa que até poucos meses atrás seria considerada improvável: a possibilidade de Lula não disputar a reeleição.

Não é uma tese pública. Ainda. Mas já circula com consistência suficiente para ser levada a sério. A lógica por trás desse movimento é pragmática: evitar uma derrota eleitoral que encerraria de forma negativa um ciclo histórico de poder.

Para isso, Lula precisaria de um elemento-chave — um pretexto narrativo. Algo que permita transformar uma eventual desistência em gesto estratégico. Pode ser saúde, pode ser “missão cumprida”, pode ser a necessidade de “renovação política”. O motivo específico é secundário. O essencial é a construção da justificativa.

E é nesse ponto que surge um nome com força crescente: Geraldo Alckmin.

Alckmin reúne atributos que, do ponto de vista político, são funcionais nesse cenário. Transita entre diferentes espectros, tem perfil moderado e previsível, é aceitável para setores do mercado e do centro político, e não representa ruptura — apenas uma continuidade com ajuste de tom.

Na prática, seria uma solução de transição. Alguém capaz de preservar parte do capital político do grupo sem carregar integralmente o desgaste atual.

Mas há um ponto crítico que não pode ser ignorado: substituir Lula não é uma decisão simples dentro do PT. Lula não é apenas um candidato — ele é o eixo central do projeto político. Retirá-lo da disputa exige uma combinação delicada de narrativa, timing e consenso interno. E isso, historicamente, nunca acontece sem tensão.

Por isso, o que se vê agora não é uma decisão tomada. É um movimento em formação.

A leitura mais realista é direta: Lula ainda é o plano A. Mas, pela primeira vez em muitos anos, o plano B deixou de ser apenas uma hipótese distante.

E em Brasília, quando o plano B começa a ganhar forma, normalmente é porque alguém já percebeu que o plano A pode não chegar até o fim.

Veja o vídeo:

Foto de Emílio Kerber Filho

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral

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