Com “taxa do lixo” prefeito de capital sela sociedade com gangster

Entre todas as cidades do Brasil, possivelmente uma das mais devastadas, onde a corrupção tem imperado e corroído os cofres públicos, seguramente é a capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande.

Uma cidade rica, que durante 16 anos, comandada pelos ex-prefeitos André Puccinelli e Nelsinho Trad, sofreu uma infindável sangria em seus cofres, perpetradas por uma organização criminosa extremamente poderosa que vencia eleições e dominava todos os poderes, além do Ministério Público e a imprensa.

Em 2012, o povo nas urnas quebrou a hegemonia desta gang. Elegeu um cidadão que não pertencia a quadrilha.

Alcides Bernal, o novo prefeito, simplesmente não teve sossego para governar. Puccinelli, o capo, que na época governava o estado, detinha o controle e o comando da Câmara Municipal, tendo inclusive comparecido pessoalmente quando da eleição do presidente da casa, e operava um esquema maldito contra o prefeito, que culminou em sua cassação, um verdadeiro golpe político, sem precedentes.

O vice, um imbecíl de nome Gilmar Olarte, devidamente cooptado pela quadrilha, entregou os cofres nas mãos da horda maldita, notadamente para o braço financeiro de Puccinelli, um verdadeiro gangster de nome João Amorim.

Felizmente, a Polícia Federal vinha monitorando toda a trama, desvendou a tramóia e a Justiça devolveu o mandato para Bernal, um ano e cinco meses após a fraudulenta cassação.

Com todos esses prejuízos, evidentemente a administração ficou prejudicada e Bernal não logrou sucesso em sua tentativa de reeleição.

O prefeito eleito em 2016 foi Marquinhos Trad, ironicamente irmão do ex-prefeito, o tal do Nelsinho, expurgado da vida pública e envolto numa série de processos pela prática de corrupção.

Advogado, tribuno e pastor, esse segundo Trad soube imprimir uma fala mansa ao seu discurso, dizendo que ‘o Nelsinho era o Nelsinho e tinha que pagar pelo que fez. E que ele era o Marquinhos, outra pessoa, totalmente diferente’. Deu certo, colou, foi eleito.

Um grande engodo.

A cidade continua sofrendo e a corrupção retornou com extrema virulência.

Esse sujeito, o tal Marquinhos, acaba de criar a ‘taxa do lixo’, onde toda a arrecadação será revertida para o bolso de João Amorim, o ‘gangster’, cria de André e Nelsinho, que detém o controle do lixo na cidade e cobra o que quer, mediante o oferecimento de constantes ‘cafezinhos’ no gabinete do Paço Municipal.

A cidade está abandonada, com uma herança maldita da época de André e Nelsinho e com o ‘gangster’ sedento por dinheiro, disposto a recuperar o tempo perdido.

Lívia Martins

Articulista e repórter
livia@jornaldacidadeonline.com.br

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