A trajetória de Ciro Nogueira, sempre ao lado do poder e dos “intocáveis”

Ler na área do assinante

Em 2005, Ciro foi citado no Mensalão. Marcos Valério afirmou que ele era um dos beneficiários do esquema. Sem provas suficientes, não virou réu.

Na Lava Jato, acumulou cinco inquéritos no STF. Foi acusado de receber R$ 7,3 milhões da Odebrecht entre 2014 e 2015, sob codinomes "Piqui" e "Cerrado". Nenhuma condenação.

Uma das investigações da Lava Jato ficou parada no STF após pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes. Os Intocáveis,  não deixam as coisas chegarem longe. O processo esfria. O tempo passa. O político sobrevive.

Esse é um dos mecanismos mais poderosos de Brasília: o tempo.

Em 2021, Bolsonaro o nomeou ministro da Casa Civil mesmo com três inquéritos abertos no STF.

Em 2017, Ciro havia chamado Bolsonaro de "fascista" e Lula de "melhor presidente deste país."

Isso é o centrão funcionando: ideologia não serve pra nada. O que importa é sobrevivência política (cargos, indicações, emendas, contratos públicos).

Agora em 2026, a PF aponta que Vorcaro pagava a Ciro entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês.

O operador chegou a perguntar ao dono do Master numa mensagem interceptada:

"Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?"

Vorcaro respondeu:

"Resolve isso pra mim."

Além da mesada, a PF aponta:

- Participação societária de R$ 13 milhões comprada por R$ 1 milhão.
- Imóvel de alto padrão cedido gratuitamente.
- Viagens internacionais de luxo pagas pelo banco.

Em troca, Ciro atuava a favor do Master no Congresso.

Vorcaro chegou a entregar pessoalmente a Ciro o texto de uma emenda favorável ao banco.

O caso ganha ainda mais peso porque o Banco Master já vinha sendo observado pelo mercado e por órgãos de controle.

O banco cresceu rapidamente comprando precatórios, direitos creditórios e ativos de risco elevado.

Nos bastidores de Brasília, o Master virou símbolo de uma relação cada vez mais nebulosa entre sistema financeiro e influência política.

Mensalão. Lava Jato. Master. Três escândalos de gerações diferentes. O mesmo nome aparecendo nos três. Sem condenação alguma. Sempre reeleito. Sempre no poder. O sistema não pune quem faz parte dele. Só pune quem ameaça.

Vamos ver quem vai ser punido: Ciro Nogueira, cacique do centrão, com teias que estão intrinsecamente ligadas ao Supremo Tribunal Federal ou Romeu Zema que é alvo de questionamentos e investigações por um vídeo de sátira com bonecos em Minas Gerais.

No Brasil, muitas vezes a régua parece diferente dependendo de quem ocupa o centro do sistema político.

Foto de Rodrigo Marcial

Rodrigo Marcial

Autor do Dossiê Moraes. Vereador de Curitiba. Professor, Advogado e Empresário

Ler comentários e comentar