Salles perde o controle e ataca Eduardo em surto político desproporcional
11/05/2026 às 11:32 Opinião
Inexplicavelmente, o deputado federal Ricardo Salles decidiu partir para um ataque agressivo contra Eduardo Bolsonaro. O que deveria ser apenas uma divergência política virou uma ofensiva pessoal, marcada por acusações exageradas, desequilíbrio emocional e evidente desespero político.
Não se trata de divergência ideológica. Trata-se de disputa por espaço dentro da direita paulista.
Após Eduardo Bolsonaro declarar apoio à pré-candidatura de André do Prado (PL) ao Senado por São Paulo, em movimento articulado junto ao governador Tarcísio de Freitas e ao PL nacional, Ricardo Salles (NOVO) reagiu de maneira destemperada e injusta, acusando Eduardo de “ceder ao Centrão” e insinuando traição aos princípios da direita.
O problema é que Salles parece esquecer quem é Eduardo Bolsonaro dentro do movimento conservador brasileiro.
Eduardo não é apenas mais um político disputando eleição. Nos últimos anos, tornou-se um dos principais articuladores internacionais do bolsonarismo, especialmente junto ao movimento conservador americano e ao entorno de Donald Trump. Mesmo fora do mandato, continuou defendendo pautas da direita, denunciando abusos do STF e mantendo influência direta sobre a base conservadora em todo o Brasil.
Enquanto muitos recuaram diante da pressão política e judicial, Eduardo permaneceu firme ao lado do pai e do bolsonarismo raiz, pagando alto preço político e pessoal por isso.
Já Ricardo Salles, que ganhou projeção nacional justamente graças ao apoio de Jair Bolsonaro e da militância bolsonarista, agora tenta atacar um dos principais símbolos desse movimento apenas porque não recebeu o apoio político que queria ao Senado.
A reação de Salles foi claramente emocional e desproporcional. Em vez de debater estratégia política, preferiu transformar a divergência em ataque moral, tentando pintar Eduardo Bolsonaro como traidor da direita, algo completamente incompatível com sua trajetória.
Além de injusto, o comportamento de Salles é politicamente irresponsável. A direita brasileira já enfrenta perseguições, censura e divisões internas. Criar uma guerra pública contra a família Bolsonaro apenas fortalece adversários e enfraquece o campo conservador.
No fim, fica evidente que Ricardo Salles reagiu muito mais por frustração pessoal do que por convicção ideológica. Eduardo Bolsonaro pode ser criticado politicamente como qualquer outro líder. Mas atacá-lo de maneira tão agressiva e descontrolada revela apenas vaidade ferida, oportunismo político e absoluto desespero por espaço dentro da direita.
Henrique Alves da Rocha
Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.