Ypê: fiscalização técnica… ou espetáculo político? (veja o vídeo)

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O caso envolvendo a suspensão de lotes de detergentes da Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária reacendeu um debate que vai muito além de uma simples questão sanitária.

Porque, no Brasil de hoje, qualquer decisão estatal contra uma empresa associada ideologicamente à direita inevitavelmente levanta dúvidas políticas.

E esse talvez seja o ponto mais grave de toda a história.

A Anvisa afirma ter identificado risco de contaminação microbiológica e falhas no processo de fabricação. Em qualquer país sério, problemas sanitários devem ser investigados com rigor. Isso não está em discussão.

Mas o questionamento começa na forma como tudo aconteceu.

A comunicação da operação ganhou tom de escândalo nacional antes mesmo de existir clareza pública sobre:

- a dimensão real do problema;
- os riscos concretos ao consumidor;
- os lotes efetivamente afetados;
- e a própria defesa técnica da empresa.

E é exatamente aí que nasce a percepção de espetáculo político.

Porque quando a narrativa pública explode antes da explicação técnica detalhada, a confiança institucional começa a desmoronar.

Ainda mais em um ambiente polarizado.

Ainda mais em ano eleitoral.

Ainda mais envolvendo uma empresa frequentemente associada ao eleitorado conservador.

A pergunta que muita gente passou a fazer foi simples: se fosse uma empresa ligada à esquerda… a reação institucional e midiática teria sido a mesma?

Talvez nunca exista prova objetiva de perseguição política.

Mas o problema é que grande parte da população já não acredita mais na neutralidade absoluta das instituições.

E isso é perigosíssimo para qualquer democracia.

Quando órgãos técnicos passam a ser vistos como atores políticos, o debate deixa de ser sanitário e vira guerra ideológica.

O resultado é devastador:

- parte da população deixa de confiar na fiscalização;
- outra parte passa a enxergar perseguição em qualquer ação estatal;
- e o país mergulha ainda mais na divisão.

A direita reagiu fortemente ao caso Ypê não apenas por causa de detergente.

Mas porque muita gente enxerga um padrão crescente:

instituições cada vez mais agressivas com determinados setores, empresas, influenciadores e vozes alinhadas ao conservadorismo.

E isso gera um sentimento perigoso:

o de que ninguém está verdadeiramente protegido da máquina pública quando a política entra no jogo.

Se houve erro da empresa, que seja corrigido.

Se houve falha sanitária, que seja apurada com transparência.

Mas fiscalização séria não pode parecer campanha de destruição pública.

Porque quando a população começa a suspeitar das intenções por trás das instituições…

o dano deixa de atingir apenas uma marca.

E passa a atingir a credibilidade do próprio sistema.

Veja o vídeo:

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Autor do livro: 20 Dias para a Vitória: Os bastidores de uma campanha surpreendente e as estratégias que levaram à vitória eleitoral
https://www.amazon.com.br/dp/B0GM8CFDSG

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