Há algo de errado neste início de notificações a respeito das infecções por hantavírus

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Chama a atenção o surto iniciado em um navio de cruzeiro em viagem pelo Atlântico Sul.

Isto porquê dos sete infectados, três faleceram, o que representa uma mortalidade alta, de 42% dentre os acometidos, o que escapa totalmente do perfil de taxa de mortalidade deste tipo de vírus.

Ademais, os hospedeiros do hantavírus são roedores silvestres e, no caso, 40% das espécies mamíferas são roedores, ou seja, trata-se do conjunto de espécies mais numeroso do planeta, encontrado de norte a sul e de leste a oeste, portanto, com capacidade de disseminação em escala global.

Até aí, tudo bem, não fosse a mudança de perfil infectivo, de morbidade e de mortalidade, que é atípico.

Primeiro, que a infecção se dá entre roedores, raramente infectando humanos, que devem ter contato com fezes ou urina dos roedores.

Por segundo, uma vez infectado um humano, a capacidade de transmissão infectiva do hantavírus entre humanos exige contato direto, pele com pele, saliva com saliva, secreções com secreções, como no contato sexual, por exemplo, o que denuncia que o hantavírus aumentou a sua capacidade de virulência.

Terceiro, o hantavírus infecta profundamente o parênquima pulmonar, causa febre, náusea e vômito, mas raramente provoca a morte, embora tenha potencial de mortalidade, dada a sede da infecção, os pulmões, o que aponta para uma mudança do perfil de mortalidade do hantavírus.

Aliás, essas características: alta infectividade, intensa morbidade e alta taxa de mortalidade; são características de cepas novas que, ao longo do tempo, se atenuam, a modo de se adaptarem ao hospedeiro, sem mata-lo, para conviverem com vantagens mútuas.

Fácil é suspeitar de uma mutação do genoma do hantavírus, aguardando-se uma melhor definição da evolução da doença nos próximos dias e semanas, para se chegar a uma conclusão mais esclarecedora desta situação epidemiológica, que até prova em contrário, é incomum.

Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa.

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