Lula se manifesta após decisão drástica da União Europeia que atingiu o Brasil

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O governo do petista Lula declarou nesta terça-feira (12/5) ter recebido com “surpresa” a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco europeu.

A manifestação foi feita por meio de nota conjunta divulgada pelos ministérios da Agricultura e Pecuária, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores. No comunicado, o Executivo federal afirma que adotará todas as providências necessárias para tentar reverter a medida e restabelecer a presença brasileira entre os países habilitados a vender ao mercado europeu.

Segundo o texto, o objetivo do governo é assegurar a continuidade das exportações para a União Europeia, mercado que recebe produtos brasileiros de origem animal há aproximadamente quatro décadas. O comunicado também reforça que o Brasil mantém um sistema sanitário considerado sólido e reconhecido internacionalmente.

“Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu”, destaca a nota oficial.

Para tratar do tema, o chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia terá uma reunião marcada nesta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias europeias. A expectativa é que o encontro sirva para esclarecer os motivos da decisão e discutir possíveis caminhos para revisão da medida.

Apesar do anúncio feito pelo bloco europeu, o governo brasileiro informou que, até o momento, as exportações nacionais de produtos de origem animal seguem ocorrendo normalmente, sem interrupções nas operações comerciais.

Pelas novas regras definidas pela União Europeia, animais vivos e produtos utilizados na produção de alimentos não poderão mais ser enviados pelo Brasil ao bloco. Atualmente, o país passou a ser o único integrante do Mercosul fora da lista de nações autorizadas pela Comissão Europeia.

A determinação começará a valer oficialmente em 3 de setembro. Desde 2024, a União Europeia mantém uma lista temporária com países de fora do bloco que cumprem as exigências sanitárias estabelecidas pelos europeus. A versão mais recente dessa relação foi aprovada nesta terça-feira durante reunião do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia.

As restrições adotadas pelos europeus estão relacionadas à política de combate à resistência bacteriana e à tentativa de reduzir o uso considerado excessivo de antibióticos na criação de animais para consumo.

O tema ganha ainda mais relevância porque o acordo comercial entre Mercosul — integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e União Europeia entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio. Mesmo assim, o tratado ainda depende de decisão judicial no continente europeu para ter sua legalidade confirmada em definitivo.

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