

Depois de meses defendendo a cobrança sobre compras internacionais de pequeno valor — a chamada “taxa das blusinhas” — o governo Lula finalmente recuou.
E o momento da decisão não poderia ser mais simbólico.
À medida que cresce o desgaste popular, despenca a aprovação do governo e se aproxima o calendário eleitoral, surge aquilo que Brasília conhece muito bem: o velho populismo de sobrevivência política.
O mesmo governo que dizia defender “justiça tributária”, “proteção da indústria nacional” e “equilíbrio fiscal” agora simplesmente revoga uma medida que ajudou a criar — justamente após enfrentar forte rejeição popular e desgaste nas redes sociais.
A pergunta inevitável é: se a taxa era tão necessária, por que acabou?
QUANDO O POVO REAGE, O GOVERNO RECUA
Milhões de brasileiros sentiram diretamente o impacto da taxação sobre compras internacionais.
A população mais humilde, que buscava alternativas baratas em plataformas estrangeiras, tornou-se alvo de uma política tributária vista por muitos como excessiva e desconectada da realidade econômica do país.
O resultado foi imediato:
- revolta popular,
- desgaste digital,
- críticas massivas,
- e enorme repercussão negativa nas redes sociais.
O governo percebeu rapidamente que a narrativa não havia funcionado. E agora tenta apagar o incêndio político que ajudou a criar.
QUANDO O PROBLEMA NÃO É APENAS A TAXA
O episódio expõe algo muito maior: a absoluta falta de coerência do atual governo.
Primeiro:
- cria-se ou sustenta-se a cobrança.
Depois:
- tenta-se justificar tecnicamente.
Em seguida:
- surgem críticas populares intensas.
E finalmente:
- vem o recuo estratégico em pleno ambiente pré-eleitoral.
A impressão transmitida à população é devastadora: não existe convicção administrativa — apenas cálculo político.
ANO ELEITORAL: VALE TUDO PARA SOBREVIVER
O timing da revogação chama atenção.
O governo enfrenta:
- queda de popularidade,
- desgaste econômico,
- críticas fiscais,
- aumento da insatisfação popular,
- e crescente pressão política.
Diante disso, decisões passam a ser tomadas não necessariamente pelo interesse público de longo prazo, mas pela necessidade imediata de reduzir danos eleitorais.
O problema é que o brasileiro já aprendeu a reconhecer esse roteiro.
Promete-se uma coisa. Executa-se outra.
E quando a rejeição explode, surge o recuo oportunista travestido de “sensibilidade social”.
O PESO DAS CONTRADIÇÕES
Talvez o aspecto mais simbólico de tudo seja justamente este: o governo acabou revogando uma medida que passou meses tentando defender.
Isso destrói a narrativa de firmeza administrativa e reforça a percepção de improviso permanente.
E quanto maior a insegurança econômica da população, menor tende a ser a tolerância social com governos que aparentam agir por conveniência política momentânea.
A revogação da “taxa das blusinhas” não representa apenas uma mudança tributária.
O governo Lula percebeu que insistir na medida poderia custar muito caro politicamente.
E em Brasília, quando o poder começa a sentir cheiro de rejeição popular, princípios econômicos costumam desaparecer rapidamente.
No fim, fica uma constatação inevitável: O problema nunca foi proteger o povo.
O problema sempre foi proteger o governo do próprio desgaste.
Jayme Rizolli
Jornalista.













