Institutos de Pesquisas ou Empresa de Pesquisas? (veja o vídeo)

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Circula na internet um vídeo que faz uma reflexão importante sobre a relação entre o resultado de pesquisas e a audiência daqueles nomes que constam nestas pesquisas. Ou seja, há uma relação inversa entre os que encabeçam as pesquisas e o interesse do povo em ver o que eles têm a dizer. 

Há muito tempo se discute o papel da divulgação de pesquisas eleitorais e seus reflexos, e uma eventual relação espúria entre as contratadas e as contratantes.

A responsabilidade social e civil na relação sempre foi escondida do público, embora existam regras, nome dos contratados/contratantes, fiscalização e autorização “estatal”. Mas os resultados nunca são responsabilidade de ninguém, pois ficam no campo da confiança (?) e da subjetividade do trabalho. A área científica serve apenas como um pêndulo técnico de perfumaria. 

Eles, os tais institutos, oscilam os números, a meu ver propositalmente, em sua divulgação durante o período eleitoral e erram grosseiramente nos resultados finais, e nada acontece. Fica tudo por isso mesmo.

É preciso dar um fim nessa relação ou estaremos fadados a ficar nas mãos do poderio financeiro destes grupos oportunistas (institutos e partidos), se não, criminosos, mas, de um jeito ou de outro, irresponsáveis com a República, com a democracia e com o povo.

É escancarado que estamos falando de EMPRESAS travestidas de Institutos de Pesquisas. Eles almejam lucro, quiçá, para outros fatores nada recomendáveis no campo da moralidade e da ética. 

Aleatoriamente, pincei a última pesquisa divulgada pelo Paraná Pesquisas, em 11 de maio de 2026, contratada pelo Partido Liberal (PL).

Veja -

Detalhes do Levantamento:

Contratante: Partido Liberal (PL), utilizando recursos próprios.

Custo: O estudo teve um valor total de R$135.225,00.

Foco da Pesquisa: Avaliação do governo de Ratinho Junior (PSD) no Paraná.

Registro no TSE: A pesquisa foi registrada sob o número PR-00323/2026.

Dados Coletados: O levantamento indicou uma aprovação de 79,6% para a gestão atual.

FONTE: TSE

Para começar, observe a justificativa da origem do pagamento - utilizando recursos próprios. Próprios? Os recursos não vêm do bolso dos parlamentares e filiados dos partidos, e sim do desvio de recursos públicos para financiar partidos - Fundo eleitoral ou fundo partidário.

Para este ano, o  Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), popularmente conhecido como “fundão”, disponibilizou quase R$5 bilhões para os partidos. Só o PL levou quase R$900 milhões. O PT levou quase R$620 milhões e o União Brasil R$536 milhões.

Já no Fundo Partidário, em 2025, o valor distribuído chegou na casa de R$1,1 bilhão, sendo que o PL embolsou R$192 milhões, o PT R$140 milhões e o União Brasil R$107 milhões. 

Toda essa dinheirama vem do tesouro nacional, portanto, dos impostos que nós pagamos. Isso significa que não tem nada de recursos próprios, e sim de recursos do povo.

Fora recursos de pessoas físicas que despejam dinheiro nas campanhas eleitorais, cheias de vícios.

Só para esta pesquisa acima, o PL gastou R$135 mil. Não é pouca coisa! Os institutos faturam alto e quando se trata de pesquisas de intenção de voto, os ganhos são estratosféricos.

A sociedade e alguns concorrentes adversários, vira e mexe, reagem a este esquema, mas de prático, NADA!

As pesquisas, dependendo, divulgam resultados invariavelmente para atender os interesses do contratante e dos que por ali orbitam, em outras palavras, a satisfação é garantida! 

No mesmo estado do Paraná, as pesquisas apontam ascensão na intenção de voto dos eleitores para pré-candidatos que coincidentemente estão alinhados aos partidos mais ricos, mas quando buscamos alguma relação em outro parâmetro de análise, em entrevistas, por exemplo, a “coisa” muda completamente de figura. Os números são inversamente proporcionais.

A pergunta que fica é: porque um conjunto de eleitores intencionam votar em determinado candidato, mas este mesmo conjunto de eleitores não tem interesse em saber o que o seu candidato tem a dizer? 

Por outro lado, candidatos que são apresentados em pesquisas com menor percentual de intenção de voto são os mesmos que apresentam maior audiência nas entrevistas. Isso sem contar o que acontece em eventos presenciais, onde o apoio a eles é substancialmente superior aos que estão na linha de frente dos resultados destas empresas de pesquisas.

Assista: 

Será que estas empresas sobrevivem a uma auditoria independente em seus balanços financeiros?

Foto de Alexandre Siqueira

Alexandre Siqueira

Vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Independente e Afiliados - AJOIA Brasil - Colunista Jornal da Cidade Online - Autor dos livros Perdeu, Mané! e Jornalismo: a um passo do abismo..., da série Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Visite:  http://livrariafactus.com.br

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