Até quando o Brasil continuará a ser o país dos golpes e da impunidade?

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Eles criaram empresas de fachada, apresentaram listas falsas de funcionários, lavaram dinheiro, pagaram propinas e subornos.  E aumentaram seu patrimônio em mais de 50 vezes em apenas dois anos.  Com os milhões roubados, compraram carros de luxo, mansões e viagens extravagantes.  Tudo isso enquanto crianças passavam fome.    

A história soa familiar, não é?  Mas o final foi um pouco diferente do que estamos acostumados.

Aimee Bock e seus comparsas obtiveram fundos de dois programas do governo americano (Programa de Alimentação para Crianças e Adultos e o Programa de Alimentação de Verão), destinados a fornecer refeições para crianças e adultos vulneráveis em creches, escolas, parques e outros locais.  Em vez disso, Bock orquestrou a maior fraude pandêmica do país, envolvendo mais de 70 pessoas, muitos sendo imigrantes da Somália, que criaram quase 300 locais falsos de distribuição de alimentos para reivindicar reembolso federal por 91 milhões de refeições que nunca foram servidas.   Mas a fraude não acabou em pizza.    

Resultado:  Aimee Bock, a mentora do esquema “Alimentando Nosso Futuro” (Feeding Our Future), acaba de ser condenada em Minnesota a mais de 41 anos de prisão e obrigada a pagar cerca de US$ 243 milhões (cerca de 1 bilhão e 200 milhões de Reais) em restituição.  Nos EUA, 41 anos de prisão são de fato 41 anos atrás das grades, sem direito a “saidinhas”, redução da pena ou auxílio-reclusão.  Pelo contrário, muitas penitenciárias nos EUA cobram taxas diárias dos presos pela sua estadia ("pay-to-stay"), o que pode gerar dívidas para o detento ao sair.  Há ainda o trabalho prisional, quando o detento recebe um pequeno salário abaixo do valor de mercado, mas o dinheiro só é liberado depois que o detento cumpre a pena.

O Brasil também teve vários casos de fraudes ocorridas durante a pandemia de COVID-19, mas as investigações continuam em andamento até hoje, com muitos casos ainda sem solução ou punição dos envolvidos.  Algumas investigações em aberto incluem:  

·       Caso dos Respiradores do Consórcio Nordeste: A Polícia Federal continua rastreando R$ 48,7 milhões pagos antecipadamente pelo Consórcio Nordeste (na época presidido por Rui Costa) para a compra de 300 respiradores que nunca foram entregues.  As investigações revelaram que o dinheiro foi desviado para gastos particulares, como compra de carros de luxo e mensalidades escolares.  O caso segue em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no STF.
·       Irregularidades no Ministério da Saúde: Em maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou novas operações para investigar suspeitas de fraudes e sobrepreço em contratos de equipamentos hospitalares firmados pelo Ministério da Saúde durante a pandemia.
·       Desvios em Hospitais de Campanha (Goiás): Investigações apuram o desvio de recursos de contratos em hospitais de campanha administrados por Organizações Sociais. Há suspeitas de direcionamento de licitações e pagamentos de propina a fiscais de contratos.
·       No Pará, nove pessoas, incluindo ex-secretários estaduais, tornaram-se réus por fraudes na compra de 400 respiradores da China que não funcionavam.
·       Em Minas Gerais, esquemas de fraude de impostos teriam utilizado a vulnerabilidade de prefeituras e hospitais durante a crise para vender falsos créditos tributários, totalizando prejuízos superiores a R$ 600 milhões.

Depois da pandemia as fraudes parecem estar aumentando.  Em 2026, o Brasil enfrenta um cenário de fraudes sofisticadas ainda sem solução definitiva.  Alguns exemplos conhecidos de golpes envolvendo quantias extraordinárias com a possível participação de políticos e altos funcionários públicos:  

·       Banco Master (O "Maior Golpe Bancário"): Investigações federais apontam para uma fraude de cerca de R$ 12 bilhões (ou até R$ 41 bilhões, segundo notícias recentes de maio de 2026), envolvendo o Banco Master. O caso, que resultou na prisão do presidente Daniel Vorcaro e abala a elite política e corporativa, ainda está em desdobramento, com ativos congelados e suspeitas de corrupção envolvendo figuras do cenário político.
·       Fraudes Tributárias em Larga Escala: A Polícia Federal desmantelou esquemas de venda de falsos créditos tributários que superaram R$ 600 milhões, afetando prefeituras e empresas com compensações irregulares junto à Receita Federal.  Em maio de 2026, a "Operação Refuse" mirou fraudes de R$ 2,5 bilhões no setor de plásticos. 
·       Fraude no INSS:  um esquema sob investigação que teria desviado mais de R$ 6 bilhões de descontos indevidos nas aposentadorias e pensões de cerca de 9 milhões de segurados, com o suposto envolvimento de funcionários, ex-funcionários e altas autoridades.
Além de imensos golpes financeiros com a possível participação de políticos e altos funcionários públicos, temos ainda uma série de golpes digitais:   
·       Golpe da Falsa Central de Banco (Spoofing): Criminosos utilizam técnicas para clonar o número oficial do banco, fingindo detectar movimentações suspeitas para induzir a vítima a transferir dinheiro ou fornecer senhas.
·       Engenharia Social e "Mão Fantasma": Golpistas convencem usuários a instalar aplicativos de acesso remoto (maliciosos), permitindo controle total do celular e do aplicativo bancário.
·       Imitação de Voz e Vídeo (Deepfakes): Uso de IA para clonar vozes de familiares ou gerentes de banco, criando pânico e exigindo Pix imediato.
·       Pix Agendado/Falso Pix: Uso de "Pix agendado" para compra de produtos, cancelando-o logo em seguida, ou usando QR Codes falsos.
·       Golpes de Recuperação (Duplo Golpe): Criminosos prometem ajudar a recuperar dinheiro perdido em golpes anteriores, cobrando taxas antecipadas e enganando a vítima novamente.

Relatórios indicam que a maioria dos crimes cibernéticos de estelionato não resulta na identificação dos criminosos, devido à rapidez com que os golpes evoluem e à dificuldade de rastrear contas de "laranjas".  A Febraban e o Banco Central continuam atualizando mecanismos de segurança, mas a sofisticação dos golpes, especialmente com o uso de IA, mantém a maioria dos casos sem desfecho definitivo.

No livro “Crime e Castigo”, o escritor russo Dostoievski conta a história de Raskolnikov, que assassina uma agiota e sua irmã, justificando o ato por uma teoria de superioridade moral e alienação da sociedade.  “Crime e Castigo” é amplamente reconhecido como um estudo profundo sobre consciência, sofrimento e crise existencial.  Espero que não tenhamos no Brasil uma encenação do “Crime Sem Castigo”, no qual alguns criminosos alienados da sociedade e se achando moralmente superiores se sentem no direito de cometer crimes contra o patrimônio público jogando toda a reputação do país na lama.

Me informaram que tudo isso estaria sendo investigado rigorosamente.  O melhor que podemos fazer é não renunciar ao nosso direito de indignação e de cobrança.  O que os corruptos mais gostam é de um povo que se acha “esperto” e desiste por antecipação, dizendo que tudo vai acabar em pizza.   

No caso do Banco Master, por exemplo, existem suspeitas e alegações públicas ligando ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao caso, gerando desgastes na imagem da corte. Uma pesquisa Datafolha de abril de 2026 indicou que 55% dos brasileiros acreditam no envolvimento de membros do STF no escândalo.

Se bons exemplos vêm de cima e a população acompanha o caso e cobra resultados, como acontece nos EUA, o crime não compensa.  Espero que o oposto não continue acontecendo por aqui.  

Jonas Rabinovitch. Arquiteto urbanista com 30 anos de experiência como Conselheiro Sênior em inovação, gestão pública e desenvolvimento urbano da ONU em Nova York.

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da Redação Ler comentários e comentar