A farsa da propaganda eleitoral: Quando o governo vende uma democracia de vitrine, que não existe (veja o vídeo)

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O espetáculo nas telas. Campanhas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do governo federal têm ocupado espaço privilegiado nas emissoras de televisão (aquelas associadas).

Os vídeos chamam mulheres, negros, indígenas e outros grupos historicamente excluídos a se candidatarem, reforçando a ideia de que o Brasil vive uma democracia plural e acessível.

Com imagens emocionantes e discursos inclusivos, o apelo é claro: “Todos podem participar, todos podem se candidatar.”

O SILÊNCIO SOBRE O REAL PODER

O que não aparece nos comerciais é a engrenagem que controla o processo:

- Partidos políticos detêm o monopólio das candidaturas. No Brasil, não existem candidaturas independentes.
- As cúpulas partidárias escolhem a dedo seus representantes, muitas vezes alinhados a interesses próprios ou do governo.
- Candidatos que ousam desafiar o sistema e conseguem candidaturas são marginalizados, sem acesso a tempo de TV, recursos de campanha ínfimos ou visibilidade.

Ao omitir essa realidade, a propaganda oficial transforma-se em marketing institucional, vendendo uma democracia que não existe na prática.

A MATEMÁTICA DA EXCLUSÃO

Os números desmentem o discurso:

- Mulheres são mais da metade da população, mas ocupam apenas 18% das cadeiras no Congresso.
- Pessoas negras representam 56% dos brasileiros, mas raramente ultrapassam 25% dos eleitos.
- Indígenas e quilombolas têm presença quase simbólica, apesar de serem protagonistas nas campanhas televisivas.

Esses dados revelam que a pluralidade exibida nas telas não se traduz em acesso real ao poder.

A MENTIRA INSTITUCIONALIZADA

O governo e o TSE sabem que o sistema eleitoral brasileiro não permite candidaturas avulsas e que os partidos funcionam como filtros de poder controlando os bilhões de verbas eleitorais.

Ainda assim, insistem em vender ao povo uma narrativa de inclusão plena.

Essa contradição transforma a propaganda em uma peça de ficção política, legitimando um sistema que continua concentrado nas mãos de poucos.

O cidadão é chamado a acreditar que basta querer para se candidatar.

Mas, na prática, o governo mente até na propaganda eleitoral: vende democracia como vitrine, enquanto mantém o controle nas mãos de partidos e elites políticas.

A pluralidade exibida nas campanhas não passa de um teatro institucional, onde os protagonistas já foram escolhidos antes mesmo de o povo entrar em cena. 

Veja o vídeo:

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.

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