
Mais de 230 empresas brasileiras já estão produzindo em outro país em busca de menos impostos

24/05/2026 às 12:34 Economia

Mais de 230 empresas brasileiras passaram a produzir no Paraguai desde 2007 utilizando a Lei de Maquila, sistema criado para atrair indústrias estrangeiras com foco em exportação por meio de incentivos tributários e custos operacionais reduzidos. Segundo levantamento baseado em dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, 232 companhias do Brasil aderiram ao modelo, representando cerca de 70% das mais de 320 maquiladoras estrangeiras instaladas no país vizinho.
O movimento ganhou força nos últimos anos, especialmente após o Paraguai ampliar benefícios e oferecer maior segurança jurídica para investidores internacionais. O principal atrativo continua sendo a baixa carga tributária. Enquanto uma indústria instalada no Brasil pode enfrentar encargos totais próximos de 80%, empresas enquadradas no regime de maquila operam com custos médios de cerca de 12%.
As maquiladoras brasileiras empregam atualmente aproximadamente 25 mil trabalhadores no Paraguai, número que, segundo especialistas do setor, representa postos de trabalho que poderiam estar concentrados no território brasileiro.
A estrutura tributária simplificada é um dos fatores apontados como decisivos para a migração industrial. No Paraguai, empresas pagam apenas 1% sobre o valor agregado da produção. Além disso, há isenção de imposto de renda sobre dividendos, benefícios na importação de matéria-prima e vantagens para aquisição de máquinas e equipamentos.
Outro diferencial relevante está nos custos trabalhistas. Embora o salário-mínimo paraguaio seja superior ao brasileiro — variando entre R$ 2.300 e R$ 2.400, dependendo da cotação — os encargos são significativamente menores. Segundo empresários do setor, um funcionário formal no Paraguai custa entre 30% e 40% menos do que um trabalhador contratado sob as regras da CLT no Brasil.
As regras trabalhistas paraguaias também possuem diferenças importantes. A jornada semanal é de 48 horas, contra 44 horas no Brasil, e benefícios como FGTS não existem no país vizinho. As férias são progressivas e só alcançam 30 dias após dez anos de empresa.
De acordo com o levantamento, 40 maquiladoras brasileiras iniciaram operações a partir de 2023, sendo que 26 delas chegaram entre 2021 e 2022, período marcado por debates sobre aumento de tributação e mudanças regulatórias no Brasil.
As dez maiores maquiladoras brasileiras em operação no Paraguai registraram receita de exportação de US$ 1,3 bilhão em 2025, segundo dados da plataforma Datasur. Parte significativa dessa produção é destinada ao próprio mercado brasileiro.
Além do regime de maquila, o Paraguai oferece outros modelos de incentivo fiscal, incluindo zonas francas e regimes especiais para setores como turismo, mercado financeiro e indústria. O sistema tributário conhecido como “triplo 10” estabelece:
• 10% de imposto de renda empresarial;• 10% de imposto de renda pessoal;• 10% de IVA, equivalente ao imposto sobre valor agregado.
Grandes empresas brasileiras expandiram operações no Paraguai nos últimos anos. Entre elas estão Lupo, Estrela, M. Dias Branco, Karsten, JBS e Lunelli. A BRF atua no país por meio da subsidiária Hercosul, voltada ao setor de ração animal.
Nos últimos dois anos, empresas brasileiras investiram mais de US$ 182 milhões no Paraguai. Os maiores aportes foram feitos por JBS, Karsten, Lupo e Kidy.
O setor têxtil lidera entre as maquiladoras brasileiras instaladas no país vizinho. Das 232 empresas, 89 atuam nos segmentos de confecção e tecidos. Redes varejistas como Renner, Riachuelo, C&A e Carrefour passaram a contratar fornecedores paraguaios para parte da produção.
A fabricante esportiva Dass anunciou investimento de US$ 40 milhões em parceria com a Texcin para produção no Paraguai. A empresa informou que a expansão não resultará no fechamento de unidades no Brasil ou na Argentina.
Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, a diferença de custos se tornou o principal fator para a transferência de operações industriais.
“No Brasil, a carga tributária e os encargos trabalhistas tornam a produção impraticável, chegando a algo próximo de 80% a 90% do custo do produto. Já no Paraguai, esse custo ficaria em torno de 10%”, afirmou.
Especialistas também apontam que recentes mudanças tributárias no Brasil e discussões sobre redução da jornada de trabalho aceleraram o interesse de empresários pelo Paraguai.
O governo paraguaio ampliou a Lei de Maquila em 2025 durante a gestão do presidente Santiago Peña. A reforma estabeleceu prazo inicial de 20 anos para os incentivos, com possibilidade de renovação, além de incluir empresas de serviços no regime especial.
Atualmente, cerca de 47% das maquiladoras estão concentradas no departamento de Alto Paraná, próximo à fronteira com o Brasil, facilitando a logística de exportação para estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Segundo representantes da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, aproximadamente 80% das exportações produzidas pelas maquiladoras têm como destino o mercado brasileiro.
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