Helder Caldeira

Escritor, Colunista Político, Palestrante e Conferencista
*Autor dos livros “Águas Turvas” e “A 1ª Presidenta”, entre outras obras.

O que quer Carmen Lúcia com o presidente do TRF-4, na véspera do julgamento de Lula

A assessoria da Presidência do Supremo Tribunal Federal divulgou nesta sexta-feira (12) a ‘estranha’ agenda da ministra Cármen Lúcia para a próxima segunda-feira, 15 de janeiro de 2018, a partir das 10h00.

Sua Excelência mandou convocar o desembargador Thompson Flores, atual presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) - onde Luiz Inácio da Silva, vulgo ‘Lula’, será julgado no próximo dia 24 de janeiro -, para uma reunião cuja pauta foi resumida como ‘assuntos institucionais’.

A confirmação da "estranha" agenda de Cármen Lúcia está disponível no site oficial do STF.

Veja:

 

A pergunta que não quer calar: o que a presidente do STF quer tratar com o presidente do Tribunal que julgará Lula em segunda instância? Infelizmente, neste momento da História do Brasil, construir tal agenda, para além da estranheza, permite-nos conjecturar absurdos.

Aos repórteres Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura, do Estadão, ‘a assessoria do TRF-4 confirmou que um dos assuntos da audiência será o julgamento do ex-presidente Lula’ (Veja Aqui).  

É inconcebível que uma pessoa publicamente experimentada como a ministra Cármen Lúcia faça uso de seu cargo máximo no Supremo Tribunal Federal e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para criar um constrangimento político-jurídico-institucional neste momento de crendices ideológicas exaltadas e radicalismos poderosos.

Afinal, o que haveria de tão importante a "conversar" com o presidente do TRF-4 que não pudesse ser resolvido depois do ruidoso julgamento ou com um telefonema oficial, um email institucional ou um ofício dirigido? Por que a pressa? Ou o assunto em pauta vai além da institucionalidade e o uso de ferramentas oficiais de comunicação pode ser "perigoso"?

No limite da conjectura, a presidente do STF acaba interferindo num processo de segunda instância que, certamente, ela deverá julgar na Suprema Corte.

Noutras palavras, o STF deveria evitar essas bizarrices!

P.S.: Sempre desconfio de quem diz que "as instituições brasileiras são sólidas". Nesta republiqueta da Ilha de Vera Cruz, sólido mesmo só o Rio Tietê, em São Paulo. Todo o resto boia...

Segue o enterro..

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Helder Caldeira

Escritor, Colunista Político, Palestrante e Conferencista
*Autor dos livros “Águas Turvas” e “A 1ª Presidenta”, entre outras obras.

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