Anvisa surpreende e aprova um novo comprimido que pode revolucionar o mercado

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do medicamento Nurtec ODT, desenvolvido pela farmacêutica Pfizer, para o tratamento da enxaqueca. A aprovação foi publicada na edição desta segunda-feira (25) do Diário Oficial da União, com validade do registro até maio de 2036.

O novo medicamento utiliza como princípio ativo o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, substância pertencente à classe dos antagonistas do CGRP. Essa proteína está diretamente relacionada aos mecanismos de dor e inflamação observados durante as crises de enxaqueca. A ação do remédio consiste em bloquear essa substância no cérebro, contribuindo para interromper ou amenizar os sintomas da crise.

Entre os diferenciais apontados por especialistas está o fato de o Nurtec ODT reunir, em um único tratamento oral, tanto o controle das crises agudas quanto a prevenção de novos episódios. Segundo a neurologista Sara Casagrande, integrante da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, a maior parte dos bloqueadores de CGRP disponíveis atualmente no Brasil é administrada por meio de injeções, enquanto o novo medicamento é apresentado em comprimido orodispersível, que dissolve diretamente na boca.

A médica também ressaltou que o remédio não provoca vasoconstrição — estreitamento dos vasos sanguíneos frequentemente associado a medicamentos tradicionais usados contra a enxaqueca, especialmente em pacientes com risco cardiovascular.

“Ele é específico para enxaqueca. É um analgésico desenvolvido para agir diretamente nesse mecanismo inflamatório.”

O Nurtec ODT foi aprovado para uso tanto no tratamento imediato das crises quanto na prevenção da doença, sempre mediante prescrição e acompanhamento médico. As apresentações liberadas pela Anvisa incluem cartelas com 2, 8 e 16 comprimidos de 75 miligramas.

Estudos clínicos de fase 3 publicados na revista científica The Lancet avaliaram a eficácia do rimegepanto em adultos com histórico de enxaqueca. Durante episódios moderados ou graves, os participantes receberam uma dose única de 75 mg do medicamento ou placebo. Após duas horas, 21% dos pacientes tratados com rimegepanto relataram ausência completa de dor, contra 11% no grupo placebo.

Os resultados também mostraram melhora no sintoma considerado mais incômodo — como náusea, sensibilidade à luz ou ao som — em 35% dos pacientes que utilizaram o medicamento, enquanto no grupo placebo o índice foi de 27%.

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