
Inesperadamente, presos políticos são libertados

27/05/2026 às 15:22 Internacional

Oito militares venezuelanos deixaram a prisão nesta terça-feira, 26, após decisão das autoridades locais no contexto do novo processo de libertação de presos políticos promovido pelo governo interino de Delcy Rodríguez. Os militares haviam sido detidos em 2017 sob acusações de conspiração contra o então ditador Nicolás Maduro.
A medida faz parte da série de excarcerações iniciadas pelo governo venezuelano desde janeiro deste ano, após o anúncio de uma política de anistia parcial voltada a opositores e militares presos por motivações políticas.
Os militares libertados estavam ligados ao chamado Caso Paraquedistas, investigação conduzida pelo regime chavista contra integrantes das Forças Armadas acusados de incitação e articulação contra o governo. Entre os envolvidos no processo estava o general Raúl Isaías Baduel, antigo aliado de Hugo Chávez, que morreu na prisão em 2021.
As filhas do general, Andreína e Margareth Baduel, continuam atuando publicamente em defesa dos presos políticos venezuelanos. Elas também cobram a libertação de Josnars Baduel, irmão das ativistas, preso desde 2020 sob acusação de participação em uma suposta operação para derrubar Maduro.
Imagens divulgadas pela ONG Foro Penal na rede social X mostram os militares deixando o tribunal vestidos com camisas amarelas e erguendo os punhos em sinal de vitória. O general Ramón Lozada deixou o local em uma cadeira de rodas, mas se levantou em determinado momento para colocar uma bandeira da Venezuela sobre o peito.
“Confirmamos a libertação por pena cumprida dos sargentos paraquedistas e do general (Ramón) Lozada”, informou Gonzalo Himiob, vice-presidente da Foro Penal.
Segundo ele, os militares permaneceram presos por mais de nove anos.
Desde a chegada de Delcy Rodríguez ao comando interino da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, o governo anunciou sucessivas libertações de detentos considerados presos políticos por organizações de direitos humanos.
Em fevereiro, um primeiro grupo de 31 militares acusados de rebelião e traição à pátria já havia sido colocado em liberdade condicional. A ONG Foro Penal calcula que cerca de 800 presos políticos foram libertados desde o início do processo de anistia, embora as entidades apontem divergências entre os números oficiais e os casos efetivamente confirmados.
O governo venezuelano afirma que mais de 8 mil pessoas foram beneficiadas pelas medidas judiciais desde fevereiro, incluindo réus que respondiam a processos em liberdade. Apesar disso, organizações de direitos humanos alertam que o país ainda mantinha 409 presos políticos registrados até 25 de maio.
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