
O "blogueiro" e o "chapista" desmoralizam a esquerda e chegam ao centro do poder mundial

27/05/2026 às 19:19 Opinião

Durante anos, a militância de redação da esquerda brasileira tentou transformar dois personagens centrais do conservadorismo nacional em caricaturas políticas. De um lado, Paulo Figueiredo, frequentemente chamado de “blogueiro” de forma pejorativa. Do outro, Eduardo Bolsonaro, reduzido pela propaganda adversária à figura de “chapista”, numa tentativa infantil de resumir sua trajetória ao período em que, ainda jovem, trabalhou em um restaurante nos Estados Unidos preparando hambúrgueres.
Mas a realidade política costuma ser cruel com narrativas artificiais. E a fotografia mais recente dessa realidade foi registrada dentro do Salão Oval da Casa Branca.
Enquanto parte da imprensa brasileira insistia em ridicularizá-los, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro articulavam, nos bastidores de Washington, um encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro efetivamente ocorreu na Casa Branca nesta semana, sendo confirmado por diversos veículos internacionais e nacionais.
A cena possui um simbolismo impossível de ignorar.
Os mesmos homens que durante anos foram (e ainda são) tratados como figuras folclóricas ou marginais pela imprensa militante brasileira hoje circulam nos corredores do poder internacional, influenciando debates estratégicos, dialogando com lideranças globais e interferindo diretamente em temas diplomáticos sensíveis entre Brasil e Estados Unidos.
O “blogueiro” que virou peça de articulação internacional.
Paulo Figueiredo não é apenas um influenciador político. Trata-se de um jornalista radicado nos Estados Unidos, com trânsito consolidado entre setores conservadores americanos e interlocução junto a parlamentares, comunicadores e integrantes ligados ao trumpismo.
Ainda assim, parte da imprensa brasileira prefere chamá-lo de “blogueiro”, não por precisão jornalística, mas porque a tentativa de desqualificação pessoal sempre foi um instrumento político da esquerda militante. A lógica é simples, quando não conseguem neutralizar uma voz pelo debate, tentam diminuí-la pelo rótulo.
Entretanto, os fatos recentes desmontam essa narrativa.
O nome de Paulo Figueiredo passou a ser associado diretamente às articulações envolvendo sanções internacionais e pressões diplomáticas contra autoridades brasileiras, especialmente no debate relacionado à aplicação da chamada Lei Magnitsky.
Independentemente das posições políticas de cada lado, trata-se de algo sem precedentes na história contemporânea brasileira, atores políticos e comunicacionais ligados ao conservadorismo nacional conseguiram levar discussões internas do Brasil ao centro da política institucional americana.
Isso não é obra de um “blogueiro” irrelevante. É resultado de influência política real.
O “chapista” que construiu circulação internacional.
A mesma distorção ocorreu com Eduardo Bolsonaro.
A esquerda passou anos repetindo, em tom de deboche, que ele havia sido “chapista” nos Estados Unidos. A tentativa era evidente, transformar uma experiência profissional comum da juventude em motivo de humilhação pública.
O problema dessa estratégia é que ela revela mais preconceito social de quem ridiculariza do que de quem trabalhou.
Eduardo Bolsonaro jamais escondeu que trabalhou no exterior antes de consolidar sua trajetória política. Pelo contrário, sempre apresentou isso como parte natural da própria formação. O que seus adversários tentaram transformar em insulto acabou funcionando como símbolo de independência pessoal e experiência internacional.
Hoje, Eduardo é reconhecido como uma das principais pontes entre o conservadorismo brasileiro e o movimento trumpista americano. Diversos veículos apontam sua interlocução junto à ala ideológica ligada a Trump e sua participação direta na articulação do encontro envolvendo Flávio Bolsonaro na Casa Branca.
Mais do que isso, Eduardo Bolsonaro tornou-se um operador político internacional de relevância inédita para a direita brasileira.
Gostem ou não seus adversários, nenhum outro parlamentar brasileiro das últimas décadas construiu tamanho nível de conexão permanente com setores estratégicos do conservadorismo americano.
A tentativa permanente de desqualificação.
Existe um padrão muito claro na cobertura de determinados setores da imprensa brasileira.
Quando figuras alinhadas à esquerda possuem trânsito internacional, são chamadas de “estadistas”, “intelectuais” ou “articuladores globais”. Quando nomes conservadores alcançam espaços semelhantes, passam a ser tratados como “blogueiros”, “influenciadores”, “extremistas” ou “chapistas”.
A linguagem nunca é neutra.
Boa parte da imprensa militante brasileira abandonou há muito tempo a função de apenas informar. Atua politicamente, escolhe adversários preferenciais e tenta moldar percepções públicas por meio da ridicularização constante.
O problema é que os fatos frequentemente atropelam a narrativa.
Enquanto comentaristas brasileiros ironizavam a possibilidade do encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, o encontro aconteceu dentro da Casa Branca, com registro fotográfico e repercussão internacional.
Enquanto setores da esquerda chamavam Paulo Figueiredo de “blogueiro”, ele aparecia no Salão Oval ao lado do presidente americano.
Enquanto Eduardo Bolsonaro era reduzido ao rótulo de “chapista”, consolidava-se como peça de interlocução política entre Brasil e Estados Unidos.
O choque entre narrativa e realidade.
A política é, em grande parte, disputa de narrativa. Mas há momentos em que a realidade se impõe de maneira incontestável.
A imagem de Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca representa exatamente o colapso de uma caricatura construída durante anos pela militância político-midiática.
Pode-se discordar deles. Pode-se criticar suas posições. Isso faz parte da democracia.
O que já não é mais possível é fingir que são personagens irrelevantes.
Porque personagens irrelevantes não influenciam debates diplomáticos internacionais.
Personagens irrelevantes não ajudam a pautar sanções discutidas no exterior.
Personagens irrelevantes não articulam encontros presidenciais na Casa Branca.
E, sobretudo, personagens irrelevantes não provocam tamanho esforço coordenado de desqualificação por parte da imprensa militante.
No fim, a ironia da história é evidente.
O “blogueiro” e o “chapista” chegaram exatamente ao lugar onde seus críticos jamais imaginaram vê-los: o centro do poder mundial.
Henrique Alves da Rocha
Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.







