
Os 3 argumentos medíocres dos “especialistas” contra a classificação do PCC e CV como organizações terroristas

29/05/2026 às 07:18 Opinião

Juro que tentei, honestamente, entender o que poderia haver de ruim na decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como organizações terroristas. Os especialistas listam objeções de três naturezas:
1) Cessaria a troca de informações entre as autoridades policias dos EUA (FBI/DEA) e a polícia brasileira, dado que a jurisdição do combate a essas organizações passaria a ser exclusivamente da CIA.
Tomando a valor de face essa informação (parece estranha, dado que, hoje, 14 grupos criminosos da AL são classificados como terroristas, o que deixaria o DEA praticamente sem função nos EUA), à primeira vista parece ruim mesmo. No entanto, se pensarmos bem, essa decisão do governo americano teve origem justamente na percepção de que as instituições latino-americanas, incluindo a polícia, estão todas contaminadas pelo crime organizado. Assim, não trocar informações pode ser um ativo, não um passivo, no combate a esses grupos.
2) Impacto negativo sobre o sistema financeiro, dado que o governo americano pode congelar contas e sancionar os bancos mesmo que esses não tenham conhecimento de que estão sendo usados para lavar dinheiro do crime, o que criaria insegurança jurídica.
Esse é um argumento bem fraco. As instituições financeiras são obrigadas, pela lei brasileira, a terem políticas de KYC (Know York Client) e AML (Anti Money Laudering). Nenhuma instituição pode alegar “desconhecimento” sobre movimentações do crime em suas contas, pois é obrigação legal dos bancos conhecerem a origem dos recursos de seus clientes. Não há insegurança jurídica alguma aqui. Pelo contrário, os bancos vão apertar ainda mais os seus controles, porque sabem que com a lei americana não se brinca.
3) Estaria havendo uma interferência indevida na autonomia e soberania brasileiras.
Esse é o argumento mais risível. Só faltou o slogan “o PCC é nosso”. Ora, já estamos perdendo a soberania para essas organizações criminosas. O Rio e boa parte do Nordeste já, são na prática, narcoestados, e o restante do Brasil caminha a passos céleres nessa direção. Foram anos de leniência e cumplicidade do Eatado brasileiro com o crime organizado, e agora vamos encher a boca para falar de soberania? Me poupem. Um Estado não tem soberania só por ter uma bandeira e um hino. É preciso defendê-la aplicando a lei, coisa em que falhamos miseravelmente.
Estão aí os argumentos contra a decisão do governo Trump. Seria curioso ouvir também a opinião de criminosos faccionados. Se é tão ruim assim, eles devem ter gostado, certo? Ou não?
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
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