O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin morreu aos 104 anos. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 29 de maio, embora a causa e o local da morte não tenham sido divulgados oficialmente.
O anúncio foi feito pela Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, instituição internacional sediada no México e dedicada ao estudo e à difusão da obra do intelectual francês.
“Com profundo respeito e gratidão, lamentamos o falecimento de Edgar Morin, pensador universal, mestre da complexidade e guia humanista de nossa comunidade acadêmica”, informou a entidade em comunicado oficial.
Reconhecido como um dos principais intelectuais dos séculos XX e XXI, Morin construiu uma trajetória marcada pela produção acadêmica extensa e pela reflexão sobre a sociedade, a educação, a ciência e a cultura contemporânea. Autor de mais de 30 livros, ele completaria 105 anos no próximo dia 8 de julho.
Edgar Morin nasceu em Paris, em 1921, com o nome Edgar Nahoum. Filho de uma família judaica, participou da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), atuando contra a ocupação nazista. Foi nesse período que adotou o sobrenome Morin, utilizado ao longo de toda a sua vida pública e intelectual.
No comunicado divulgado após sua morte, a instituição mexicana também destacou a relevância de sua contribuição para o pensamento contemporâneo.
“Sua obra seguirá sempre viva em cada esforço para conectar os saberes, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma visão integradora”, afirmou.
Entre os principais legados deixados por Morin está a Teoria do Pensamento Complexo, abordagem filosófica e científica que propõe superar a fragmentação tradicional do conhecimento. Em vez de analisar os fenômenos de maneira isolada, o pensador defendia uma compreensão integrada da realidade, reconhecendo as relações entre diferentes áreas do saber e as incertezas inerentes à condição humana.
A teoria influenciou profundamente campos como educação, sociologia, filosofia, comunicação e ciências humanas em diversos países.
Em parceria com a Unesco, Morin publicou em 1999 a obra Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, livro que se tornou referência internacional ao discutir os desafios educacionais do novo milênio e a necessidade de formar indivíduos com visão mais ampla e crítica do mundo.
Na área da comunicação e da cultura, outra obra de destaque foi Cultura de Massa no Século XX: O Espírito do Tempo, lançada em 1962. No livro, o autor analisa os impactos da mídia, do consumo e da indústria cultural sobre a sociedade moderna.
Edgar Morin deixa duas filhas, fruto de seu casamento com Irène Chapellaubeau.
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da Redação