Lula e o apoio implícito às facções criminosas, agora “organizações terroristas”
30/05/2026 às 14:55 Opinião
Depois de ver sua popularidade mergulhar no primeiro trimestre do ano passado, Lula recebeu um presente de Natal fora de hora do governo Trump: o tarifaço e um processo que colocava em risco, entre outras coisas, o PIX. Lula surfou na onda da defesa da soberania e do PIX, e recuperou pontos preciosos de sua popularidade.
Agora, os petistas querem repetir a mágica. Viram na ação do governo americano a chance de lançar mão novamente da bandeira da soberania nacional. No comunicado oficial do Palácio do Planalto, não faltou nem mesmo a menção à defesa do PIX contra os interesses estrangeiros.
O problema para Lula é que as situações não são exatamente as mesmas. Se por um lado temos uma ação do governo americano que nos afeta, por outro os potenciais prejudicados são completamente diferentes. No caso do tarifaço, eram as empresas brasileiras as maiores vítimas, o que poderia prejudicar crescimento e empregos. Sem falar na questão do PIX, ponto extremamente sensível para a população. Agora, as medidas vão contra facções criminosas, o que é muito, mas muito diferente.
O discurso petista tenta, de todas as formas, convencer a população de que a ação americana vai, na verdade, enfraquecer o combate ao crime. Boa sorte com essa narrativa. Não vou aqui entrar no mérito da medida. Pouco importa, para fins de percepção, se vai enfraquecer ou não o combate ao crime. O fato é que o povo está exausto de insegurança, e disposto a aceitar qualquer coisa que se pareça com uma solução. E ter os americanos endurecendo o jogo para os criminosos é uma narrativa poderosa.
Lula precisa pisar em ovos nesse assunto, porque suas críticas podem ser lidas como apoio ao crime. Uma coisa é ficar do lado dos empresários contra o tarifaço. Outra coisa bem diferente é colocar-se implicitamente ao lado das facções, porque é assim que o povo pode ler suas declarações críticas ao governo americano, e é como certamente a oposição vai caracterizá-lo. Por isso, faz parte da narrativa a “ameaça ao PIX” a única que pode colar.
Aliás, cadê os caçadores de fake news na imprensa, que não colocam um carimbo de “sem provas” nessa acusação do Planalto? Cadê o TSE, sempre tão pronto a velar pela higidez do processo eleitoral, e que deixa passar em branco a acusação de “traição da pátria” feita por Lula ao seu adversário, associando-o ao fim do PIX? Claro, tudo isso é discurso político, e faz parte do jogo. Mas, como sabemos, no Brasil só é permitido a um dos lados fazer discurso político. O monopólio da produção de “fake news” é do outro lado.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
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da Redação