Juiz que prendeu o maior traficante do país surpreende ao se manifestar sobre ação dos EUA sobre PCC e CV
31/05/2026 às 13:55 Direito e Justiça
Odilon de Oliveira em entrevista a Jô Soares
O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, reconhecido nacionalmente por sua atuação no combate ao crime organizado e por ter condenado o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, manifestou apoio à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e entrará em vigor a partir de 5 de julho.
Com uma trajetória marcada pelo enfrentamento ao narcotráfico na faixa de fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, Odilon participou de investigações e julgamentos envolvendo grandes esquemas de tráfico de drogas, contrabando e facções criminosas. Ao longo de sua carreira, determinou a prisão de centenas de integrantes dessas organizações e tornou-se uma das principais referências no combate ao crime organizado no país.
Em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, o magistrado aposentado afirmou considerar legítima a decisão adotada pelas autoridades americanas. Para ele, cada nação possui autonomia para definir juridicamente o que caracteriza terrorismo e aplicar essa classificação conforme sua legislação interna.
"Cada país, amparado por sua soberania, é livre para conceituar terrorismo e classificar como tal atos praticados por qualquer grupo, independentemente da base territorial onde esteja radicado", declarou.
Na avaliação de Odilon, a atuação histórica das facções brasileiras oferece elementos que sustentam esse entendimento. Ele citou os ataques promovidos pelo PCC em São Paulo, em 2006, bem como a expansão territorial e operacional do Comando Vermelho em diversas regiões do Rio de Janeiro.
"Basta ver, em 2006, há 20 anos, os atos de terror do PCC em São Paulo e a atual dominação do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Esses grupos são donos de arsenal suficiente e de capacitação técnica. O Departamento de Estado americano define as facções como ameaças severas sob o argumento de que o tráfico de entorpecentes avança rapidamente na América", destacou.
O ex-juiz também rebateu interpretações de que a medida representaria uma interferência externa nos assuntos internos do Brasil. Segundo ele, a classificação adotada pelos Estados Unidos está restrita ao ordenamento jurídico norte-americano e não impõe qualquer obrigação ao Estado brasileiro.
"Não acho que essa classificação seja fundamental para o governo americano desrespeitar a nossa soberania. Donald Trump está apenas usando da faculdade de enquadrar o PCC e o CV como grupos terroristas, e não obrigando o Brasil a fazê-lo. São duas coisas diferentes", avaliou.
Atualmente com 76 anos, Odilon de Oliveira reside em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Mesmo após deixar a magistratura, ele afirma manter uma rotina cercada por cuidados especiais de segurança devido ao histórico de enfrentamento às organizações criminosas.
Segundo o ex-magistrado, as ameaças continuam sendo uma preocupação constante. Por esse motivo, sua residência conta com sistemas de proteção reforçados, incluindo telas eletrificadas e outros mecanismos de segurança, enquanto seus deslocamentos e atividades externas permanecem limitados.
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da Redação