
Contragolpe: Flávio usa antiga estratégia da esquerda e obriga adversários a jogar no seu campo
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A política moderna deixou de ser apenas uma disputa de propostas. Cada vez mais, ela se tornou uma disputa de narrativas.
E, nesse aspecto, a recente visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca pode ter representado uma das movimentações políticas mais eficientes do ano.
Muitos observadores concentraram suas análises no simbolismo do encontro com Donald Trump, na repercussão internacional da agenda e no fortalecimento dos laços com o universo conservador americano.
Mas existe um aspecto estratégico ainda mais relevante.
Flávio Bolsonaro conseguiu fazer aquilo que todo estrategista político busca realizar: pautar o debate público.
Durante anos, a esquerda demonstrou grande capacidade de definir os temas da discussão nacional e obrigar seus adversários a reagirem às pautas que ela própria escolhia.
Desta vez, o movimento ocorreu na direção oposta.
Ao colocar no centro do debate a proposta de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, Flávio deslocou a conversa para um terreno historicamente favorável ao campo conservador: segurança pública, combate ao crime organizado e proteção da população.
O efeito foi imediato.
Em vez de responder a temas escolhidos por seus adversários, passou a conduzir uma discussão criada por ele próprio.
Mais do que isso.
Setores da esquerda e integrantes do governo passaram a gastar tempo e energia explicando por que se opõem à classificação das facções como organizações terroristas.
Na prática, ocorreu um fenômeno raro na comunicação política.
O adversário foi levado a debater em um campo onde o outro lado possui vantagem narrativa.
E esse talvez tenha sido o principal mérito da operação.
Campanhas não são vencidas apenas pela qualidade dos argumentos.
Muitas vezes, são vencidas pela escolha do campo de batalha.
Quem define o tema da discussão normalmente sai na frente.
Quem apenas reage costuma correr atrás.
Outro elemento importante foi a construção de contraste político.
Ao defender uma postura mais dura contra organizações criminosas, Flávio reforçou uma associação histórica presente em parte do eleitorado: a ligação entre a direita e o endurecimento do combate ao crime.
Enquanto isso, seus adversários se viram diante da tarefa mais difícil de comunicar argumentos jurídicos e diplomáticos, que tendem a ter menor apelo popular.
O resultado foi a ampliação da visibilidade do tema e o fortalecimento da narrativa construída pelo senador.
Independentemente da concordância ou discordância sobre o mérito da proposta, o fato é que a operação atingiu um objetivo estratégico relevante.
Flávio Bolsonaro deixou a posição de quem responde.
Passou para a posição de quem pergunta.
Saiu da defensiva.
Foi para o ataque.
E existe uma regra conhecida por qualquer profissional de marketing político:
quem consegue obrigar o adversário a jogar no campo que escolheu normalmente já inicia a partida em vantagem.
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