Surgem mensagens que revelam mais escândalos do Caso Master na Bahia
02/06/2026 às 14:41 Direito e Justiça
Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que o empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, manteve conversas com Daniel Vorcaro sobre repasses destinados à empresa Mídias Promotora. De acordo com as investigações, a companhia teria sido utilizada pelo controlador do Banco Master para realizar pagamentos a integrantes do esquema relacionado ao Rioprevidência.
Nos registros extraídos do celular de Vorcaro, interceptado pela PF, Marcelo aparece identificado como “Marcelo Terra Firme”. A denominação faz referência a uma empresa pertencente a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Conforme os investigadores, Lima possui ligação direta com os investimentos realizados pelo Rioprevidência em letras financeiras emitidas pela instituição bancária.
Em uma conversa registrada em maio de 2024, Vorcaro questiona:
“Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?”.
Em resposta, Marcelo Maia Souza Marques afirma:
“Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente. O valor é esse mesmo. Se quiser, posso te ligar pra alinhar [sic]”.
Segundo a Polícia Federal, a Mídias Promotora estava formalmente registrada em nome de um terceiro, mas seria controlada por Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como lobista do Banco Master no Estado do Rio de Janeiro. Ainda de acordo com a apuração, ele atuava na prospecção de clientes e no chamado “alinhamento político” junto a Vorcaro.
Dados da Receita Federal analisados pela investigação indicam que a empresa recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master entre os anos de 2023 e 2025. Para os investigadores, a estrutura era utilizada para conferir aparência de legalidade a pagamentos destinados a participantes do esquema investigado.
As mensagens analisadas pela PF sugerem que Marcelo Maia Souza Marques teria desempenhado papel operacional na movimentação desses recursos. A troca de informações com Vorcaro é apontada como um dos elementos que sustentam essa linha investigativa.
O nome do empresário também apareceu em reportagens anteriores relacionadas à Credcesta. Conforme revelou o UOL, foi Marcelo quem realizou o registro dos domínios Credicesta.com.br e Credcesta.com.br. A origem da operação remonta ao processo de privatização da Ebal, empresa estatal baiana responsável pela rede Cesta do Povo e pela administração de um cartão consignado.
Ao longo dos anos, os direitos ligados à operação passaram por diferentes estruturas empresariais até serem concentrados em companhias vinculadas a Augusto Lima. Posteriormente, houve participação do Banco Máxima, instituição que mais tarde se transformaria no Banco Master.
O registro do site da Credcesta em nome do Banco Máxima ocorreu em 12 de julho de 2018 e foi efetuado por Marcelo Maia Souza Marques. O empresário também mantém sociedade com André Kruschewsky na empresa AMF Consultoria e Assessoria LTDA.
André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master, é primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, Eugênio Kruschewsky. Ambos tiveram seus nomes mencionados na CPMI do INSS em razão de supostas ligações com operações envolvendo o Banco Master e a Credcesta no Estado da Bahia.
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da Redação