Mulher de 37 anos finge ter 12 e engana casal que a adotou por 14 meses
03/06/2026 às 18:33 Polícia
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga um caso que chamou a atenção pela complexidade do esquema utilizado por uma mulher de 37 anos para assumir uma identidade falsa e viver como adolescente durante 14 meses. Identificada como Amanda Maria, ela foi presa após admitir que se passou por uma menina de 12 anos e foi acolhida por uma família em Joinville, no Norte do Estado.
Segundo os investigadores, Amanda utilizava o nome Gabriele e construiu uma narrativa que sensibilizou membros de uma comunidade religiosa local. Ela afirmava ter fugido do Pará em razão de maus-tratos sofridos na infância. Posteriormente, as apurações revelaram que a mulher é natural do Ceará.
A aproximação com a família ocorreu após sua participação em atividades ligadas à igreja frequentada pelas vítimas. Inicialmente, ela recebeu apoio financeiro e ajuda da comunidade. Com o passar do tempo, conquistou a confiança de um casal, que decidiu acolhê-la em casa e passou a tratá-la como integrante da família.
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, Amanda conseguiu estabelecer um forte vínculo emocional com os responsáveis. Conforme a investigação, ela passou a desfrutar de uma rotina confortável, recebendo cuidados, presentes e acesso a diversos benefícios oferecidos pelo núcleo familiar.
Para sustentar a falsa identidade, a suspeita apresentava explicações para sua aparência física adulta. Conforme a Polícia Civil, ela alegava possuir autismo e outras condições clínicas. Também dizia que características físicas incompatíveis com sua suposta idade seriam resultado do uso forçado de hormônios durante a infância, circunstância que afirmava estar relacionada a abusos sofridos no passado.
Os investigadores relataram ainda que Amanda adotava comportamentos infantis para reforçar a encenação. Entre os hábitos observados estavam o uso de mamadeiras, chupetas e de um objeto de apego utilizado para dormir.
A fraude começou a ser descoberta após uma familiar do casal levantar dúvidas sobre a versão apresentada pela suposta adolescente. Segundo o delegado, a parente nunca acreditou totalmente na história e decidiu realizar pesquisas na internet. Durante essa busca, encontrou registros de um caso semelhante ocorrido anteriormente no Rio de Janeiro, envolvendo uma mulher com características e métodos muito parecidos.
A descoberta levou o pai adotivo a procurar as autoridades. A partir daí, a Polícia Civil aprofundou as investigações e concluiu que Amanda já havia utilizado estratégias semelhantes em outros estados brasileiros.
Em 2023, ela chegou a ser presa em Nova Iguaçu (RJ), onde teria aplicado golpes afirmando ser vítima de uma rede de prostituição e práticas de bruxaria. Na ocasião, segundo as autoridades, também utilizava a falsa condição de adolescente para conquistar a confiança de terceiros.
As investigações apontam ainda que existem registros relacionados à suspeita em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Os policiais apuram possíveis crimes de estelionato e falsa identidade, além de verificar a existência de outras vítimas que possam ter sido enganadas por meio do mesmo método.
O caso segue sob investigação, enquanto a Polícia Civil trabalha para identificar a extensão dos prejuízos causados e esclarecer todos os episódios ligados à atuação da suspeita em diferentes regiões do país.
Um vídeo assustador que circula na web mostra o comportamento manipulador da criminosa. Assista:
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da Redação