Jovem é preso por tráfico e diz que policiais introduziram "cabo de vassoura" em seu ânus

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Um jovem de 22 anos denunciou ter sido vítima de agressões e abuso sexual durante uma ação policial ocorrida no município de Denise, localizado a 238 quilômetros de Cuiabá. O caso veio à tona após sua prisão por suspeita de tráfico de drogas durante a Operação CGFRON Brasil Contra o Crime Organizado. Por questões de segurança e privacidade, a identidade do denunciante não foi divulgada.

A prisão aconteceu na sexta-feira (22), quando equipes da Polícia Militar receberam informações indicando que o jovem estaria comercializando entorpecentes em uma residência da cidade. Conforme o relato dos policiais, ele tentou fugir ao notar a chegada da viatura e ofereceu resistência à abordagem.

Durante as buscas realizadas no imóvel, os agentes afirmaram ter encontrado porções de maconha e cocaína, além de uma balança de precisão, dinheiro em espécie e um aparelho celular. Todo o material foi apreendido e encaminhado para os procedimentos legais.

Após a detenção, porém, o suspeito apresentou uma versão diferente dos acontecimentos. Em depoimento, ele relatou que sofreu agressões físicas e afirmou que um “cabo” de vassoura foi introduzido em seu ânus enquanto estava algemado e sob custódia dos policiais.

O exame pericial realizado pela Politec identificou diversas lesões no corpo do jovem, incluindo escoriações, edema na região anal e uma fissura acompanhada de “discretos fragmentos de madeira”. Os peritos apontaram que os vestígios observados são compatíveis com a introdução de algum objeto na região.

No documento técnico, os especialistas destacaram que as lesões encontradas indicam a utilização de “instrumento contundente”, classificando a ocorrência como um caso de “meio cruel”.

“A presença de fissura ou ragade anal associada a edema pode ser compatível com lesão causada por introdução de objeto, dedo ou algo semelhante em região anal. De acordo com o histórico relatado pelo periciado, o objeto “cabo” de vassoura pode ser compatível com os achados. As demais lesões encontradas são recentes e foram causadas também por instrumento contundente”, diz trecho do documento pericial.

Já os policiais envolvidos registraram no boletim de ocorrência que foi necessário empregar força moderada para conter o suspeito devido à resistência apresentada durante a prisão.

Após a abordagem, o jovem foi encaminhado à Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Barra do Bugres, juntamente com os materiais apreendidos. Em sua defesa, ele declarou que as drogas seriam destinadas ao consumo pessoal e negou qualquer participação em atividades de tráfico.

A Polícia Civil confirmou que a prisão em flagrante por tráfico de drogas foi efetuada pela Polícia Militar e informou que o caso está sob análise da Delegacia de Barra do Bugres.

Em nota, a instituição informou que o suspeito relatou ao advogado ter sofrido agressões físicas supostamente praticadas pelos policiais responsáveis pela condução. Segundo a corporação, foi solicitado exame de corpo de delito, conforme o procedimento padrão aplicado a todas as pessoas apresentadas à Polícia Civil.

“Na delegacia, o suspeito relatou ao seu advogado ter sofrido agressões físicas supostamente praticadas pelos policiais militares responsáveis pela condução. Conforme procedimento padrão aplicado a todos os conduzidos apresentados à Polícia Civil, foi requisitado exame de corpo de delito para apuração das alegações”, diz trecho da nota da Polícia Civil.

A Polícia Civil também esclareceu que, por envolver agentes militares em serviço, toda a documentação relacionada à denúncia, incluindo o depoimento da suposta vítima, foi encaminhada ao comando local da Polícia Militar para adoção das providências cabíveis.

Por sua vez, a Polícia Militar informou que ainda não havia recebido uma denúncia formal sobre os fatos, mas garantiu que abrirá um procedimento administrativo para apurar todas as circunstâncias apresentadas.

Confira a nota na íntegra:

“A Polícia Militar de Mato Grosso informa, por meio da 22ª CIPM de Força Tática, que ainda não recebeu nenhuma denúncia, mas que irá instaurar um procedimento administrativo para investigar o caso com o máximo rigor.
A PMMT reforça que não coaduna com abuso de autoridade e nenhum tipo de crime cometido por parte de seus integrantes.”

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