Direita venceu 1º turno na Colômbia e acusações de Petro não se sustentam, aponta CNE
06/06/2026 às 09:42 Internacional
O Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia (CNE) encerrou a contagem oficial do primeiro turno presidencial realizado no dia 1º de junho, e os números praticamente repetem o que os sistemas preliminares já indicavam horas após o fechamento das urnas.
O candidato de direita Abelardo de la Espriella obteve 10.366.143 votos, 43,78% dos válidos, enquanto o senador Iván Cepeda, de esquerda, somou 9.703.921, equivalentes a 40,98%.
A diferença em relação à apuração inicial é de apenas alguns milhares de votos, variação considerada residual dentro dos padrões históricos do país.
Antes de os números finais serem divulgados, o presidente Gustavo Petro declarou publicamente não aceitar o resultado.
“Como presidente, não aceito os resultados”, afirmou logo após o fechamento das urnas.
Cepeda foi na mesma direção:
“Hoje tivemos 10 milhões de votos mal contados na Colômbia. Somos a principal força política, sem dúvida”.
A alegação dos dois se apoiava em uma suposta discrepância de cerca de 885 mil eleitores no sistema de projeção logística Divipole em relação ao censo eleitoral fechado em 30 de abril.
A explicação, segundo o site La Silla Vacía, que teve acesso às bases de dados, é técnica: o sistema projeta materiais eleitorais para consulados no exterior, onde a votação ocorre ao longo de toda a semana, e não apenas no domingo.
O consulado em Madri, por exemplo, aparece seis vezes no arquivo, uma para cada dia útil. Somadas todas as repartições externas, a diferença chega a 885.400 — exatamente o número apontado como suspeito por Petro.
A repercussão negativa levou Cepeda a recuar já na segunda-feira:
“Até o momento, devo afirmar categoricamente que não encontramos nenhuma evidência ou indício de irregularidades flagrantes”, disse o candidato a jornalistas em Bogotá: “Não há irregularidades de dimensões suficientes para falar de fraude”.
Petro, por sua vez, manteve as acusações e publicou ao longo da semana vídeos e posts no X apresentando o que chamou de evidências.
Nenhum organismo de observação confirmou as denúncias. A missão da União Europeia afirmou que “nossos observadores avaliaram todas as fases do processo como transparentes, organizadas e tranquilas”. A avaliação foi endossada pela OEA, pelo Centro Carter e pela Missão de Observação Eleitoral da Colômbia.
Abalado pelo desempenho aquém das pesquisas, que o colocavam à frente de Espriella durante toda a campanha, Cepeda abandonou a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte. O 2º turno está marcado para 21 de junho.
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da Redação