O Itamaraty tenta agendar um encontro entre Lula e Donald Trump durante a Cúpula do G7, em Evian, na França, entre os dias 15 e 16 de junho.
O objetivo declarado é negociar o tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros. O objetivo real é tentar salvar o que resta da credibilidade diplomática de um governo que já perdeu todas as batalhas anteriores com Washington.
O episódio começa com uma inversão constrangedora. Lula havia declarado publicamente, na própria reunião ministerial, que não iria ao G7. Dias depois, voltou atrás — exclusivamente por causa do tarifaço. Engoliu o que havia dito, cancelou a recusa e vai atrás de Trump de chapéu na mão. A guinada não passou despercebida — e no jogo diplomático, inconsistência tem preço.
O segundo problema é que Trump pode simplesmente não aparecer — ou aparecer contrariado. O presidente americano nunca escondeu seu desprezo pelo formato multilateral do G7, que considera um fórum de países que "se aproveitam" dos Estados Unidos. Com o Oriente Médio em chamas, o confronto marítimo com o Irã em curso e uma agenda densa com China e Rússia, as chances de Trump priorizar um encontro com Lula em Evian são modestas.
No limite, Lula pode chegar à França e encontrar J.D. Vance no lugar do chefe — o vice-presidente linha-dura que tem ainda menos simpatia pelo PT do que o próprio Trump.
O contexto agrava tudo. O encontro seria o segundo entre os dois presidentes em menos de dois meses. O primeiro, em maio, em Washington, foi um fracasso diplomático: Lula entregou pessoalmente a Trump um documento contestando a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — e foi simplesmente ignorado. Dias depois, Trump classificou as facções como terroristas, atendendo explicitamente ao pedido de Flávio Bolsonaro, e anunciou as tarifas.
A dimensão do desespero está numa declaração reveladora de um ministro com assento no Planalto, obtida pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo: "Exceto o Pix e alguns tópicos relativos às terras raras, tudo é negociável."
Lula chega a Evian sem trunfos. O tarifaço está em vigor. As facções já foram classificadas. Trump não precisa do encontro. O Brasil é um item secundário na agenda americana — e o governo que chegou a Washington como igual saiu como solicitante. Agora tenta uma segunda chance com um interlocutor que mal quer estar no mesmo continente.
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da Redação