
CEO da AtlasIntel se manifesta após pesquisa bizarra que atingiu Flávio ser derrubada pelo TSE

08/06/2026 às 19:07 Direito e Justiça

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, manifestou-se nesta segunda-feira (8/6) após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a suspensão da divulgação de uma pesquisa envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo o executivo, a empresa continuará ampliando sua presença e consolidando sua reputação mesmo diante de questionamentos públicos.
A decisão foi tomada pelo ministro Nunes Marques, presidente do TSE, que acolheu um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), legenda à qual Flávio Bolsonaro é filiado. O levantamento, divulgado em 19 de maio, indicava uma redução nas intenções de voto do senador, apontado como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Em publicação na rede social X, Roman afirmou que a empresa já enfrentou críticas de diferentes setores políticos ao longo de sua trajetória e que isso não comprometeu sua credibilidade.
“Muitos tentaram atacar a reputação [da empresa] quando os resultados não lhes convinham”.
O dirigente relembrou episódios anteriores envolvendo pesquisas da companhia.
“Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo”, escreveu.
Na sequência, Roman destacou o alcance internacional da empresa e afirmou que os questionamentos enfrentados ao longo dos anos acabaram fortalecendo sua posição no mercado.
“A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa em nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou ainda mais, e é justamente isso que vai continuar acontecendo”.
A controvérsia analisada pelo TSE surgiu após a divulgação de reportagens envolvendo conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relacionadas a um pedido de financiamento para o filme Dark Horse. O conteúdo foi utilizado como contexto em parte do material apresentado aos entrevistados.
Ao examinar o caso em caráter preliminar, Nunes Marques entendeu que existem indícios de possível comprometimento da neutralidade da pesquisa. Entre os pontos observados pelo magistrado estão a utilização de áudio referente à investigação e aspectos da formulação do questionário que, segundo a análise inicial, poderiam influenciar as respostas dos participantes.
Na decisão, o presidente do TSE ressaltou que a discussão ultrapassa divergências metodológicas comuns em levantamentos eleitorais.
“A controvérsia levantada ‘não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da AtlasIntel, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado, especialmente em razão da ordem sequencial das perguntas e do emprego de expressões de carga valorativa negativa’”.
O ministro também destacou que a suspensão temporária da pesquisa não representa um julgamento definitivo sobre sua validade. Segundo ele, a medida cautelar busca preservar a regularidade do processo enquanto a análise técnica continua.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionário de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou o ministro na decisão.
Nunes Marques acrescentou que há indícios de que o levantamento possa ter ultrapassado os limites normalmente esperados de uma aferição estatística.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou.
Outro aspecto destacado pelo magistrado foi a comparação com levantamentos anteriores registrados pela AtlasIntel. Conforme registrado na decisão, outras 27 pesquisas realizadas pela empresa não continham perguntas semelhantes às analisadas no caso atual nem utilizaram a veiculação de áudio como parte da metodologia aplicada.
A suspensão determinada pelo TSE impede, de forma provisória, a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção do levantamento nos canais oficiais da empresa até a conclusão da análise judicial.
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